Lost in reverie

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domingo, maio 25, 2014

Devaneios de uma manhã de domingo

Mais uma manhã de domingo raiou. Daqui do terceiro andar é possível ver o laranja solar, parecendo um crepúsculo. No céu uma única estrela teimou em brilhar, sozinha, num céu que fica um tom de azul mais claro a cada segundo. O Sol vem, como todos os dias, devorar outra metade do planeta com sua energia exuberante. Os ponteiros marcam 6h10.
Sentada sob esse imenso céu brasiliense, por um momento desejo o mar, imponente e destemido mar. Sempre tão misterioso, profundo, compenetrado... Inspirador de toda sorte de literatura e devaneio, desde os romances mais doces que o doce de batata doce aos contos macabros e tenebrosos como os mitos do Kraken e Cthulhu. Também é purificador, renovador de almas, mentes e corações cansados. O centro-oeste do país carece de mar. Saudades de lá, de qualquer lugar onde à minha frente haja mar.
O relógio correu mais, a estrela se deu por vencida (como competir de tão longe? e será que ela ainda existe para competir? não sei qual era a estrela), os ponteiros correram e meu cérebro continua em atividade graças à garrafa de café que mamãe preparou nos instantes finais de ontem. A madrugada foi boa: 3 vitórias consecutivas no DOTA 2, li várias páginas de Borges para a prova de quarta, e agora estou aqui, vítima da aurora, lápis, papel e devaneios. Fazia tempo que não fazia isso. Às vezes me perco de mim e dos meus hábitos, e quando eventualmente os retomo, me sinto em casa e estranha. O mundo lá fora me priva do meu, e tenho que me tatear para reencontrar o que adormeceu em mim.
A saudade que sinto de minhas noites insônes sem obrigações é algo que não me cabe explicar. Sinto falta de sentar-me e, munida de lápis e folhas, deixar fluir o que se passa em minha mente caótica, sem regras ou pudor. Fazendo como um marujo desbravando um mar tempestuoso, agitado e imprevisível. Tentando ao máximo concretizar o que não se concretiza, como se o que estivesse no papel fossem apelos e últimas palavras. Uma escrita integralmente passional, livre da métrica e de todas as regras que visam estavelecer padrões e definições literários. E se é, de fato, possível que ache algo que nestes valores se encaixem, assim se deram por obra de um acaso, pois nada é planejado quando discorro sobre meu mundo particular, tão meu que não consigo explicar e nem compartilhar.
E que seria tal mundo? Exatamente! Também o desconheço. Por isso continuo escrevendo e externalizando este lugar tão confuso, tão infinito, tão íntimo. Nessa imensidão me perco. O Sol se levantou. O topo das casas já estão alaranjados. Os pássaros cantam em voam na sinfonia matinal. Já dei bom dia às minhas cachorras, e agora me vou. Sempre pensativa e perdida em mim mesma. São quase 7h00.