Não me importo se você me deixar aqui sozinha, contanto que nada além de você mesmo vá embora. Não quero ter que ver meus pedaços ficando para trás – novamente -, enquanto a passos lentos vou tentando reviver. Não quero ter que me explicar para o meu lado moribundo o quão felizes ainda podemos ser, porque acho que até meu lado mais feliz está triste. Eu não poderia encontrar qualquer força para acender a chama de novo. Seria eu uma jovem com tanta amargura, que nada seria alegre ao meu lado. Eu seria flores mortas, um jardim sem vida. E pergunto-me se já não sou assim ... Ah, juro que tentei ser melhor, mais agradável, mais palatável. Mas é em vão querer ser assim, sendo que o mundo me obriga a agir tão diferentemente. Vida injusta ? Talvez. Embora eu acredite que não tanto.
Dizer que não tenho medo não posso. Dizer o que penso não devo. Sentir-me incapaz é a única opção que se estende perante mim. Horizonte, longe, infinito, inatingível, inalcançável, inacessível. E vou acostumando-me a esse sentimento que mal posso suportar. Costume. Adaptar-me e seguir sem que nada possa me desviar. Sem que nada seja auto-sacrifício e a recompensa posta de lado.
Não, não vou continuar com essa loucura. Tenho meus planos e sei que sou capaz de executá-los bem, até muito melhor, sozinha. Vou dar um tempo. Um tempo de mim e de minha vida. Quero voltar a ser a mesma de antes. A mesma que agia sem limites. A que não se dava por vencido em um olhar. A fortaleza que eu queria ser agora ...
Não há notas de rodapé, não há canção. Há apenas o desejo de poder seguir em frente, sem que nada entre no caminho. Sem que nada possa me derrubar. Logo agora que eu consegui me libertar ...




