Lost in reverie

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domingo, maio 27, 2012

Compromisso




Estás tão perto, mas tão longe. Posso encontrar-te aqui dentro, ou pelo menos as tuas lembranças e imagens que percorrem minha mente como a luz pálida desse dia cinzento. Mas não consigo materializar tua presença. Tenho apenas a tua imagem impressa em pedaços de papel que guardo e zelo como se fossem você mesmo. Levo comigo o desenho dos teus lindos traços, que me fazem sorrir e chorar ao mesmo tempo. E aonde quer que eu vá, tu estás comigo, transbordando minha alma e enchendo meu coração. Faz-me tão feliz que ouso duvidas se tudo não passaria de um sonho. Contudo, a dor dessa saudade que inquieta o meu ser faz-me ver o quão real tu és para mim.
Então, posso sentir este amor, que de tão imenso fez com que eu esquecesse-me de mim. E quanta saudade cabe neste sofrimento? Nem eu mesma poderia saber calcular. Conto dias e segundos para enfim poder estar ao seu lado sem que um outro adeus seja necessário! Mal posso ver a hora de poder entregar-me aos teus braços e adormecer em paz, sem os fantasmas de sua partida num outro dia. Saber que eu poderei correr para esses braços toda vez que eu precisar ou quiser e não haverá centímetros que separem nossos corpos. Sentir-me segura todos os dias da minha vida, ao lado da pessoa que mais amo. Como poderia eu não amar o homem que me fez e me faz a mulher mais feliz? Como não amar o homem que me entende e cada dia procura entender-me mais e mais? Como não amar o meu mundo?
Eu te dou minha vida, com o prazer mais puro que já pude sentir, para que possamos trilhar juntos a vida que se apresenta a nós. E prometo tentar ser sempre a mulher que te faz feliz todos os dias. Porque o amor que sinto por ti é muito maior do que as palavras ousam descrever. Eu amo você!



Marisa Monte - A Sua

sexta-feira, agosto 05, 2011

Horizonte




Agora eu vejo que se estende além mar, que vai pra longe, tão longe que já não posso ver. O horizonte conquistou-me. Venceu-me, pois não posso lhe alcançar. E assim, não vejo mais a esperança de um dia ter-lhe em meus braços e dizer que és meu e de ninguém mais.
O vento frio castiga essa pele já arrepiada, absorta em tuas imagens, que como em câmera lenta refazem-se todas aqui por dentro. E faz com que o rosto, já encharcado do choro, resfrie-se ainda mais. O sol está distante nesse inverno. Meu eu também. Minha metade se foi e não consigo encontrá-la em lugar algum. O horizonte a levou. E com minha metade foi-se também minha alegria. Agora só o que enxergo são vultos na escuridão, que ficam distorcidos demais com estes meus olhos marejados de solidão.
Não posso pedir que volte, não devo esperar que volte, não quero dizer que está vivo em mim, embora morto não esteja. Porque admitir que sinto a tua falta, pensar sobre o que já vimos e vivemos, nossos planos, nossos sonhos e desejos, é muita dor. Já é insuportável saber que você partiu e que a sensação de te ver de novo seria como voltar a viver. É mais fácil tentar ignorar a dor do que saber que o que eu sempre quis me escapou às mãos como o tempo. 




Vento no Litoral - Legião Urbana



Aonde está você agora além de aqui, dentro de mim ?! 

terça-feira, junho 21, 2011

A Cidade e a Lua




Essa cidade corrida
Hoje me prende em seu concreto
Os planos e a vida
Os toques e os objetos

A saudade se engrandece
Se aproveita dessa prisão
A razão fenece
Aumentando toda solidão

O prédio, a casa, a rua
Sonhando do dia à noite
O Sol, as estrelas, a Lua
É assim em qualquer dia, toda noite

Se eu pudesse escolher
Saberia que não o iria
Mas seria você
Ainda sabendo que morreria

Mas esse cinza não se interessa
Ele só me exige a rotina
Os muros e as grades são apenas promessas
Que ludibriam a retina



" Levamos muito tempo pra descobrir que não é por aí
Não é por nada não
Não, não, não pode ser
É claro que não é
Será ?! "


Muros e Grades - Engenheiros do Hawaii


"Viver assim é um absurdo, como outro qualquer. Como tentar o suicídio ou amar uma mulher"
É o amor que sinto por ti que me faz prisioneira desses muros e grades.
O único que eu ainda não pude esquecer ... 

quarta-feira, maio 25, 2011

Tu, e o que não posso



A tua voz se espalha pela casa vazia. 
Procura os cantos esquecidos e se abriga em meus ouvidos, trazendo consigo as velhas lembranças que jaziam na desmemória. 
A voz triunfante com seus tons de sorriso. 
Em sua arrogância.
Ah, sim! Tua arrogância ... É admirável, irritante, impressionante, apaixonante. 
"Não, não posso. Não é possível" 
Vou me enganando por essas estradas sinuosas que nem sei se me levam à você. 
O que é bem provável que não, pois não te quero. 
Te desejo, mas não te quero. 
Te amo, mas não te quero.
É insano, mas não te quero!
És os meus defeitos, és as minhas qualidades, és as minhas manias.
Em nossas cores escrevi teu nome, mas não guardo as fotos e nem a lembrança do teu toque.
Pois não as tenho, e nem quero tê-las.
Mesmo que eu guarde esse amargo meu, de nunca ter experimentado o doce do teu veneno
Jamais irei provar dos teus lábios.
Pois são para mim o que não deveriam significar!




"Eu que não fumo, queria um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci dez anos ou mais neste último mês" 





Eu Que Não Amo Você - Engenheiros do Hawaii




Eu não voltei, pois jamais fui. Eu não fui, pois jamais pertenci. E pretendo continuar assim!

terça-feira, maio 03, 2011

Surreal




03 de Maio de 2011                                                                           Gama, DF

Eu vivi minha vida inteira, procurando alguém que me fizesse existir. Existir e ser feliz por isso. Pensei ter achado tal pessoa, mas já me disseram, duas vezes, por outras afirmações, que eu estava completamente enganada. Quem faz com que eu exista nem mesmo sabe disso. Vivemos vidas paralelas, com perspectivas desiguais e disformes. O seu mundo desprende-se do meu e em algum momento une-nos por laços invisíveis e dimensões desconhecidas. Já ficamos tão próximos e proporcionalmente tão distantes. Mas a canção, que há tanto tempo embala nossas vidas, afirma que o céu é só uma promessa. E em nossa pressa vamos em outras direções.
A ele refiro-me, com ele eu falo, por meio das mais diversas subjetividades, que tornam-se tão óbvias na percepção de terceiros diretos, e tão fugaz aos olhos, meus e dele. Surpreendendo-me, verdades foram ditas sem que eu nem ao menos pudesse notar que existissem. Sendo assim, agora, sem que eu perceba, começo a pensar o que achei por tanto tempo já ser página virada. E reparando detalhes da veracidade com que me açoitam essas palavras, consigo notar o sentido existente no que pra mim parecia ser tão normal.

"Agora, que a Terra é redonda
E o centro do Universo é outro lugar
É hora de rever os planos
O mundo não é plano,
Não pára de girar"

Agora, vendo -e sabendo (sem entender)- de tudo, muita coisa faz sentido. Mas tudo continua dúbio e estranho e sem sentido e confuso. Não sei o que sinto, é verdade, mas como eu não pude notar que algo -por mais anormal que fosse- estava, e de fato ainda está, acontecendo dentro de mim ? Isso, por mais que eu não saiba o que vai acontecer daqui em diante, permanecerá sempre como um ponto de interrogação em minha cabeça. Ainda mais por eu me julgar tão racional ...


"E o teu olhar sempre distante sempre me engana"

E não esqueço jamais que tudo isso, toda essa dúvida mortificante, DEVE SER MOMENTÂNEO!


Refrão de Bolero - Engenheiros do Hawaii




Já me disseram que o Gessinger fez essa música sem nem ao menos ter tocado na tal da Ana ... Se for assim, combina perfeitamente com o que eu quero dizer -com uma pequena mudança de gênero, claro!




Tempo de composição: 00:25 à 01:20

sábado, abril 30, 2011

10%







Hoje eu senti uma coisa que eu sei que não deveria. Sei que não deveria por conhecer-me, por conhecer-te. Eu sei tão bem que não devo, não posso, não quero. Tanto sei que sinto, sinto e sinto. Arrastando meu coração por entre estranhezas e entranhas do meu passado pensado esquecido. Jogando-me contra mim mesma e sem saber o porquê. Acordaram essa inquietude dentro de mim num comentário desnecessário. O meu azar é que me conheciam melhor do que eu mesma pra saber o que diziam. E foi de repente ... 
Agora eu que dizia ser esquecido e passado, retomo nas lembranças o que eu pensei ter sido passageiro e momentâneo. Estou aprendendo que contigo sempre me rendo e nunca consigo tirar os olhos de tua presença. O teu orgulho impetuoso me atinge e extasia-me em delírio de desejo e tentação. Eu sinto crescer meu infortúnio de te ter ao lado em constância. Já não sei mais lidar com isso, e assim permaneço em inércia. Hoje só cabe-me ficar lembrando dos bons momentos em que eu pude te sentir mais perto, dos olhares encontrados ao acaso e do meu olhar brilhando ao ouvir tua voz do outro lado da linha. 
O meu outono está sendo mágico e encantador, mas acaba me fazendo um pouco mal, pois sei exatamente como é o ser com quem eu queria compartilhar alguma das minhas folhas. Eu conheço muito bem a ponto de saber que jamais seria possível, mesmo que não apenas eu quisesse ... Conheço o suficiente pra saber que DEVE SER MOMENTÂNEO! 


"Tuas palavras
Duras palavras
Como uma prisão
Me deixam de fora
Fora de circulação"

É duro quando todas as músicas que escuto me lembram tudo o que eu queria esquecer ...


Até Quando Você Vai Ficar ? - Engenheiros do Hawaii




As músicas do Engenheiros do Hawaii, todas elas, até a que não gosto, me fazem lembrar de você ... Quisera eu fosse tudo diferente e ao contrário!

sábado, abril 23, 2011

Sad Times




Me envolve um turbilhão de sons e imagens liquefeitos do passado distante de minh'alma. Sorri-se das boas lembranças e mesmo assim chora-se querendo revivê-las. Refaz-se o futuro incerto e sombrio, que agora não sabe o que se faz, resume-se, refaz-se. A breve vida e seu sopro que joga-nos como poeira aos ventos. O ar é rarefeito nas profundezas da alma de solidão. E a luz é quase inexistente, exceto pela última fagulha de esperança que ainda resta, da última chama de qualquer coisa que tenha invadido o corpo com algum sentimento bom. 
Eu sinto aquele vazio torturante, que me seria mais fácil que a morte consumisse-me. O vazio que afoga-me em desespero e desconsolo, pois não tenho as mãos que outrora afagavam-me os cabelos. E com vícios eu tento diminuí-lo por dentro, tento preencher o espaço enorme que, ironicamente, esse vazio ocupa. Eu, que sempre fui acostumada a enxergar o futuro com um brilho resplandecente no olhar, agora só consigo emitir o brilho de uma lágrima que cai, esvai, flui. Não porque eu queira ... mas porque é a única opção que me oferta a vida neste momento. Já tentei traçar uma rota que tirasse-me desta outra, mas a solução que vejo agora apreende-me, pois dependo de outros fatores para que funcione. E aquele sorriso triunfante e intrépido que meu rosto emoldurava a tão pouco tempo atrás, tornou-se como a palavra dita e não permaneceu. Restou a lembrança, apenas. Voltou a dor, a raiva e a tristeza que já antes habitara-me; e agora tudo torna-se parte de mim, deveras .... Mais uma vez!


E que o momento torne-me débil de emoção, pois estou prestes a chorar em dores e angustia. 





Pra Ficar Legal - Engenheiros do Hawaii


sexta-feira, abril 22, 2011

Túrvio







Sophie caminhava pelo interior de sua alma. Estava tudo turvo, escuro demais. Ela tateava os caminhos tentando se encontrar dentro de si, tentando encontrar algo que pudesse fazer com que aquela confusão dentro de si acalmasse-se, para que ela pudesse estar feliz mais alguma vez. Ela passou por entre as lembranças e chorou ao lembrar-se o quanto queria estar vivendo seu passado. Ela desejava tanto encontrar-se nos braços de sua antiga vida, que entrou em colapso. Ela chorou amargamente durante as noites que passavam, sem que o sono lhe acudisse. Ela sonhou em seus poucos minutos de olhos fechados, estar em outro lugar, outra época. Ao escutar as músicas que a transportava em memórias - as suas melhores - ela enfraquecia e sua garganta lhe doía, pois o choro lhe era imposto de pronto, inconscientemente. E assim é. Mesmo da turbulência ela sente falta, pois ainda assim tinha o que lhe protegia e lhe consolava.
Sophie ainda caminha por lá. Ainda continua do mesmo jeito que antes. Ainda está confuso e negro por dentro. Ela ainda tem o mesmo desejo. A mesma saudade, provavelmente maior e mais abrangente. Ela se sente cada vez mais ameaçada, anda nervosa, anda fora de si, anda de cabeça baixa e olhar tristonho. Ela sorri porque não lhe é dada outra opção, não há chances de que se expresse sem ser questionada, não pode - não quer - mostrar o que realmente sente. O orgulho a prende, assim como os nós prendem sua garganta dolorida e sufocada por um choro inconsolável. E assim ela vai se deitar todas as noites. Em solidão, em dores, em tristeza e amargura de espírito. Chorando em silêncio suas dores profundas de quem perdeu o que mais amava em toda a vida ....


"numa cama desfeita
na escuridão
um corpo que se deita
um corpo em tempestade
agora já é tarde"



Eu lhe quero de volta, do mesmo jeito que antes
quero tudo como se encontra no passado.





No Inverno Fica Tarde + Cedo - Engenheiros do Hawaii







"Eu que não sei perder, perdi o sono
Na escuridão, na escuridão"

sábado, abril 09, 2011

Can't keep







Alone, I've been going
From side to side
Living, leaving, being left
Guilt or not, doesn't matter
I can't, I can, I should or not
I don't know what to say
Am I supposed to say something ?
I will never know
Giving my best, myself
Leaving what I shouldn't
But this is the kind of situation on that I always satisfy myself
My ego is speaking so loud, it's screaming from the inside
Inside is confused, lost, found, crazy, hell
This way I go insane
Something will remain there, I don't know for how long
But it will
And that's me, begging myself to leave what left from me
A distant me, an unknown me
Answers that go away ...
Light kisses my face, light blows at me
And it hits me, hurts me, kills me slowly
Inevitably I'll miss, but I couldn't keep on




"Tentei ser teu futuro
Tentei ser teu amigo
... O que há de mais seguro
Também corre perigo"


Nem sempre há qualquer resposta aceitável, viável, agradável
Nem sempre, quase nunca, há algo que nos faça bem
E quando achamos esse algo queremo tê-lo pra sempre
Mas nem sempre as circunstâncias concordam conosco
Então, temos de ceder à vida ...


"Ando só, pois só eu sei
Pra onde ir, por onde andei
Ando só, nem sei porque"




Ando Só - Engenheiros do Hawaii




segunda-feira, março 28, 2011

Vário







E eis que há uma nuvem que paira sobre mim, sobre nós. Mas ela está indo, ela se foi. O Sol nasce lá fora, o céu clareia aos poucos e a noite passou num segundo tão curto. Não que o haja mais longo ou menos longo, é só que eu não o notei passando ... Foi uma sensação de estar exatamente onde se quer estar, com as pessoas que se quer estar. Não precisei de qualquer estímulo para permanecer de pé e ver as ruas clareando-se em tons incandescentes e as luzes apagando-se uma a uma.
Mas um olhar que há muito não via, chamou-me a atenção. O olhar da pessoa mais íntima à mim, mais chegada. Os olhos de alguém que me prende, que não me deixa em paz, que não me liberta. A pessoa que está sempre em meus pensamentos, sempre em meus planos, sempre em egoísmo. Deparei-me com o espelho e olhei dentro de meus olhos .... Há muito não os via tão intensos, cheios de dúvidas, medos e certezas. Era tanta coisa junta que não os pude fitá-los por muito tempo. E será que livre os poderia ver mais uma vez ? Livres da dúvida, das emoções, das próprias certezas ... Eu vi, daquele plano, olhos que mudam a direção com uma constância inconstante e sofreguidão. Tamanha era a vontade de não tê-los visto tão diverso, corri dali. Fugi para onde o olhar apenas fitasse os outros olhares que me acompanhavam madrugada à dentro.
A madrugada foi, como da outra vez, memoravelmente boa. Eu tive uma leve sensação de estar perto o suficiente do que eu quero há tanto tempo.








Anoiteceu em Porto Alegre - Engenheiros do Hawaii




sábado, março 26, 2011

É Estranho




Eu estava a sonhar em versos distantes, versos que outrora confundia. Por medo. Sentei à janela, tomando um bom chá, vendo a chuva cair. Sentir, pensar, ser e estar. Um beijo que faz falta, um sentido perdido, um atraso para perceber. Agora eu arrependo-me, mas eu sei conviver com isso, por enquanto. Não sei o que fazer para desligar meus pensamentos. Desligar ... Eu concentro-me em tudo que está ao alcance. Busco aprender a te esquecer. O que bastou foi ver-te aquele dia.
E agora ao recordar de minha tenra infância, pergunto-me se um dia voltarei a ter aquela paz inocente. Não pretendo fugir de mim mesmo, é impossível! Por isso vou buscar outros ares, outras direções, outros momentos. O seus olhos, o teu olhar, o teu pulso, tua firmeza. Não me pertencem. Não sei ser teu dono, não o poderia. Não o quero! Eu queria que tudo voltasse ao normal, sentir e não saber, ver e não perceber, não tocar. Porém, agora é tarde. Fico feliz em saber que não mais me envolverei ... Nada quero por agora, nada quero durante um bom tempo. Não soube aproveitar minha liberdade, mas aprendi a lição.
E que de hoje em diante, saibamos viver da melhor maneira possível ...





Não é Fácil - Marisa Monte


quarta-feira, março 16, 2011

Outra Dimensão




A canção parou de tocar. Será que as caixas de som emudeceram ? Perderam o som, o tom, o caminho. Deram passagem ao surgimento da dúvida. Será que o caminho seria encontrado e retomado pelos acordes e melodia ? Voltaria, algum dia, a tocar as notas que outrora me tocaram ? Ah! ...
Como eram suaves as batidas que embalavam meus sentidos. As emoções afloravam em evidência, num arrepio da pele. A sequência de notas progredindo pouco a pouco, elevando a excitação e a expectativa, chegando a um clímax auditivo de intenso deleite. E numa viagem transcendental, ultrapassava o ténue limite entre o que é real e o figurativo. E quando totalmente envolvido num ecstasy, subitamente a urgência da melodia torna-se calmaria e suavidade. A volta do mundo paralelo.
Mas já não tocam mais. As caixas de som da minha vitrola pararam, estão caladas. Me sinto preso de novo à realidade e não consigo ultrapassar a fronteira que me divide do ideal. Com elas em silêncio, sinto-me deslocado de mim mesmo. É como se habitasse um corpo estranho ... Preciso da música. É ela quem move meu ser e estar.










Shine on You Crazy Diamond - Pink Floyd


segunda-feira, março 14, 2011

Time for Changing




A porta fechada.
Você deve destrancar, achar a chave e correr para dentro ou para fora
O que você quer ? Escapar ? Investir ?
Mudar a vida tomando alguns passos necessários
Mudar drasticamente ? Definitivamente ? Dar um tempo ?
É tudo uma questão de se achar a chave
Se ela está presa em um elo perdido, ache a solução para resolver o quebra-cabeças
Junte as peças e encaixe-as para a liberdade
Fazendo com que tudo torne-se um pouco mais simples e possa respirar
Se algo lhe prende, diga adeus
Às vezes a mudança, a passagem para uma outra fase, torna-se necessariamente obrigatória
O medo é natural, desistir é opcional
Mas não há muitos lugares para onde se possa correr, não é mesmo ?
Se o dia de mudar chegou, enfrente ...
Melhor do que tentar mudar a direção dos ventos e frustrar-se, por mais tarde ver que de nada adiantou
So, LET'S GO AHEAD!











Dream Theater - A Rite of Passage


domingo, março 13, 2011

Desabrigo







Hoje, deitada na cama, sob um dia perfeito de chuva e céu escuro, senti algo que há muito não sabia existir. O quarto estava pálido, sóbrio. As letras do livro o qual eu tentava arduamente ler começaram a embaralhar-se, formando códigos ilegíveis, indecifráveis. 
Um turbilhão fazia com que meu corpo estremecesse e me lançava contra os meus muros de proteção. Eu tentava escapar, mas dentro de mim não há refúgio para eu mesma. Todos guardados sãos e salvos, mas eu sobrava em algum canto desprotegido e totalmente vulnerável. Eu não consigo fugir do que eu sinto. 
A convivência 24 horas comigo mesma fez-me fechar algumas portas e abrir os olhos. Sentir com intensidade o que me dá prazer descomunal, alegria intensa e trajada. Trajes galantes e sorrisos emoldurados numa face fria. O caminho por detrás perfumado pela fragrância excepcional e marcante de quem sabe o que quer e nada pode-se fazer à respeito. 
Eu desejei outrora ser como o pássaro, livre de tudo. Mas aprendi, observando cada passo e suas consequências, que não posso privar-me das obrigações e dos meus objetivos. Devo lutar por eles até o fim (seja a sua conquista ou o meu próprio fim). E não os desisto mesmo sob enfrentamento de desejos. E meu desejo agora opõe-se ao que realmente posso. Está num horizonte que, distante, mistura-se com as cores de um Sol tímido tentando penetrar as nuvens pesadas. Mas também aprendi que esse desejo não posso deter. É um amor mental. É um amor alter ego.