Lost in reverie

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sexta-feira, agosto 05, 2011

Horizonte




Agora eu vejo que se estende além mar, que vai pra longe, tão longe que já não posso ver. O horizonte conquistou-me. Venceu-me, pois não posso lhe alcançar. E assim, não vejo mais a esperança de um dia ter-lhe em meus braços e dizer que és meu e de ninguém mais.
O vento frio castiga essa pele já arrepiada, absorta em tuas imagens, que como em câmera lenta refazem-se todas aqui por dentro. E faz com que o rosto, já encharcado do choro, resfrie-se ainda mais. O sol está distante nesse inverno. Meu eu também. Minha metade se foi e não consigo encontrá-la em lugar algum. O horizonte a levou. E com minha metade foi-se também minha alegria. Agora só o que enxergo são vultos na escuridão, que ficam distorcidos demais com estes meus olhos marejados de solidão.
Não posso pedir que volte, não devo esperar que volte, não quero dizer que está vivo em mim, embora morto não esteja. Porque admitir que sinto a tua falta, pensar sobre o que já vimos e vivemos, nossos planos, nossos sonhos e desejos, é muita dor. Já é insuportável saber que você partiu e que a sensação de te ver de novo seria como voltar a viver. É mais fácil tentar ignorar a dor do que saber que o que eu sempre quis me escapou às mãos como o tempo. 




Vento no Litoral - Legião Urbana



Aonde está você agora além de aqui, dentro de mim ?! 

terça-feira, junho 21, 2011

A Cidade e a Lua




Essa cidade corrida
Hoje me prende em seu concreto
Os planos e a vida
Os toques e os objetos

A saudade se engrandece
Se aproveita dessa prisão
A razão fenece
Aumentando toda solidão

O prédio, a casa, a rua
Sonhando do dia à noite
O Sol, as estrelas, a Lua
É assim em qualquer dia, toda noite

Se eu pudesse escolher
Saberia que não o iria
Mas seria você
Ainda sabendo que morreria

Mas esse cinza não se interessa
Ele só me exige a rotina
Os muros e as grades são apenas promessas
Que ludibriam a retina



" Levamos muito tempo pra descobrir que não é por aí
Não é por nada não
Não, não, não pode ser
É claro que não é
Será ?! "


Muros e Grades - Engenheiros do Hawaii


"Viver assim é um absurdo, como outro qualquer. Como tentar o suicídio ou amar uma mulher"
É o amor que sinto por ti que me faz prisioneira desses muros e grades.
O único que eu ainda não pude esquecer ... 

quarta-feira, maio 25, 2011

Tu, e o que não posso



A tua voz se espalha pela casa vazia. 
Procura os cantos esquecidos e se abriga em meus ouvidos, trazendo consigo as velhas lembranças que jaziam na desmemória. 
A voz triunfante com seus tons de sorriso. 
Em sua arrogância.
Ah, sim! Tua arrogância ... É admirável, irritante, impressionante, apaixonante. 
"Não, não posso. Não é possível" 
Vou me enganando por essas estradas sinuosas que nem sei se me levam à você. 
O que é bem provável que não, pois não te quero. 
Te desejo, mas não te quero. 
Te amo, mas não te quero.
É insano, mas não te quero!
És os meus defeitos, és as minhas qualidades, és as minhas manias.
Em nossas cores escrevi teu nome, mas não guardo as fotos e nem a lembrança do teu toque.
Pois não as tenho, e nem quero tê-las.
Mesmo que eu guarde esse amargo meu, de nunca ter experimentado o doce do teu veneno
Jamais irei provar dos teus lábios.
Pois são para mim o que não deveriam significar!




"Eu que não fumo, queria um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci dez anos ou mais neste último mês" 





Eu Que Não Amo Você - Engenheiros do Hawaii




Eu não voltei, pois jamais fui. Eu não fui, pois jamais pertenci. E pretendo continuar assim!

sábado, abril 23, 2011

Sad Times




Me envolve um turbilhão de sons e imagens liquefeitos do passado distante de minh'alma. Sorri-se das boas lembranças e mesmo assim chora-se querendo revivê-las. Refaz-se o futuro incerto e sombrio, que agora não sabe o que se faz, resume-se, refaz-se. A breve vida e seu sopro que joga-nos como poeira aos ventos. O ar é rarefeito nas profundezas da alma de solidão. E a luz é quase inexistente, exceto pela última fagulha de esperança que ainda resta, da última chama de qualquer coisa que tenha invadido o corpo com algum sentimento bom. 
Eu sinto aquele vazio torturante, que me seria mais fácil que a morte consumisse-me. O vazio que afoga-me em desespero e desconsolo, pois não tenho as mãos que outrora afagavam-me os cabelos. E com vícios eu tento diminuí-lo por dentro, tento preencher o espaço enorme que, ironicamente, esse vazio ocupa. Eu, que sempre fui acostumada a enxergar o futuro com um brilho resplandecente no olhar, agora só consigo emitir o brilho de uma lágrima que cai, esvai, flui. Não porque eu queira ... mas porque é a única opção que me oferta a vida neste momento. Já tentei traçar uma rota que tirasse-me desta outra, mas a solução que vejo agora apreende-me, pois dependo de outros fatores para que funcione. E aquele sorriso triunfante e intrépido que meu rosto emoldurava a tão pouco tempo atrás, tornou-se como a palavra dita e não permaneceu. Restou a lembrança, apenas. Voltou a dor, a raiva e a tristeza que já antes habitara-me; e agora tudo torna-se parte de mim, deveras .... Mais uma vez!


E que o momento torne-me débil de emoção, pois estou prestes a chorar em dores e angustia. 





Pra Ficar Legal - Engenheiros do Hawaii


sexta-feira, abril 22, 2011

Túrvio







Sophie caminhava pelo interior de sua alma. Estava tudo turvo, escuro demais. Ela tateava os caminhos tentando se encontrar dentro de si, tentando encontrar algo que pudesse fazer com que aquela confusão dentro de si acalmasse-se, para que ela pudesse estar feliz mais alguma vez. Ela passou por entre as lembranças e chorou ao lembrar-se o quanto queria estar vivendo seu passado. Ela desejava tanto encontrar-se nos braços de sua antiga vida, que entrou em colapso. Ela chorou amargamente durante as noites que passavam, sem que o sono lhe acudisse. Ela sonhou em seus poucos minutos de olhos fechados, estar em outro lugar, outra época. Ao escutar as músicas que a transportava em memórias - as suas melhores - ela enfraquecia e sua garganta lhe doía, pois o choro lhe era imposto de pronto, inconscientemente. E assim é. Mesmo da turbulência ela sente falta, pois ainda assim tinha o que lhe protegia e lhe consolava.
Sophie ainda caminha por lá. Ainda continua do mesmo jeito que antes. Ainda está confuso e negro por dentro. Ela ainda tem o mesmo desejo. A mesma saudade, provavelmente maior e mais abrangente. Ela se sente cada vez mais ameaçada, anda nervosa, anda fora de si, anda de cabeça baixa e olhar tristonho. Ela sorri porque não lhe é dada outra opção, não há chances de que se expresse sem ser questionada, não pode - não quer - mostrar o que realmente sente. O orgulho a prende, assim como os nós prendem sua garganta dolorida e sufocada por um choro inconsolável. E assim ela vai se deitar todas as noites. Em solidão, em dores, em tristeza e amargura de espírito. Chorando em silêncio suas dores profundas de quem perdeu o que mais amava em toda a vida ....


"numa cama desfeita
na escuridão
um corpo que se deita
um corpo em tempestade
agora já é tarde"



Eu lhe quero de volta, do mesmo jeito que antes
quero tudo como se encontra no passado.





No Inverno Fica Tarde + Cedo - Engenheiros do Hawaii







"Eu que não sei perder, perdi o sono
Na escuridão, na escuridão"

domingo, abril 03, 2011

A Melhor das Épocas







Isolo-me
Isenta de todo os riscos, com todos eles, mergulhado neles
A incoerência, a carência, a índole e o desejo
A noite cai. Impetuosa, irada, amargurada, adocicada
Pulsa num corte, no sangue a sair
Late no desejo, no afago dos dentes, no calor do beijo
Como se o que fosse o amanhã inexistisse
Um anexo, dos corpos, dos olhares, das bocas
Sentido, retraído, atirado, extasiado
Conseguir o que se queria há certo tempo
Um triunfo, uma conquista ? Talvez ...
Agora não interessa os títulos, se é que há
Sensações, emoções, impertinências, bem como as pertinências
Um corpo trêmulo, contraindo-se de dor e prazer
Um ritmo sufocante, inebriante, deleitante
Ainda sentir, com mesma intensidade, com a mesma sobriedade
Provocar, irritar, compensar
Chamar à si as recordações, as vontades, as motivações
E ver que, no fim das contas, foi melhor assim
A melhor das épocas!




E sim, também os amigos, que por tanto tempo nos acompanham nessa jornada
Aqueles que vieram, que se foram, que continuam, que irão
Os que fazem a diferença num determinado momento ou em todos eles
Os que podemos sentir, longe ou perto
Os que podemos tocar, nem que seja em pensamentos
Transportando-nos aos momentos em que juntos estivemos
Felizes, contentes, tristes, emudecidos
A família que escolhemos para compartilharmos as nossas angústias e conquistas
O que seria de nós - de mim - sem os amigos ?
É também por eles que vivo na melhor das épocas
É devido a eles que tenho a vida cheia de aventuras e de boas histórias para contar, lembrar
É por eles, com eles, que a intensidade instala-se em meu íntimo
E nesse ritmo frenético eu sigo, feliz, a vida que eu sempre quis
Sentindo falta do passado, amando o presente, desejando o futuro ...
A melhor das épocas!



"Remember the days of yesterday
How it flew so fast
The two score and the year we had
I thought would always last

The summer days and West Coast dreams
I wished they never end
A young boy and his father
Idol and best friend

I'll always remember
Those were the best of times
A lifetime together
I'll never forget

Morning shows on the radio
The case of the missing dog
Lying on the pillows of the Odeon Twelve
Watching "Harold and Maude"

Record shops, the stick-ball fields
My home away from home
When we weren't together
The hours on the phone
I'll always remember
Those was the best of times
I'll cherish that forever
The best of times
But then came the call
Our lives change forever more
You can pray for a change
But prepare for the end
The fleeting wings of time
Flying through each day
All the things I should have done
But time just slipped away
Remember "Seize the day"
Life goes by in a blink of an eye
With so much left to say
These were the best of times
I miss these days
Your spirit led my life each day
Thank you for the inspiration
Thank you for the smiles
All the unconditional love
That carried me for miles
It carried me for miles
But most of all
Thank you for my life
These were the best of times
I'll miss these days
Your spirit led my life each day
My heart is bleeding bad
But I'll be okay
Your spirit guides my life each day"



The Best of Times - Dream Theater

Aos meus amigos eu agradeço por todos os momentos bons que passamos e que com certeza ainda passaremos! 
Amo vocês!




The Best of Times - Dream Theater

quinta-feira, março 03, 2011

É difícil voltar





Na simplicidade dos meus versos vou cantando, contando, compondo
Vou seguindo os olhos de meu observador e o guio por entre caminhos perdidos de minh'alma
Caminhando sozinha pelos vales que despertam com o raiar do Sol
Não rimo, não dou ritmo, não sigo qualquer destino
Caminho meu é o que trilho no momento
O futuro é incerto mas ainda assim o invento
De mil maneiras num distante pensamento
Sem querer descubro a solidão, que me arrasta para junto dela sem qualquer perdão
Voando calada voo rasante
Espreito quem desejo e evito o dia
Não dou pista, não falo, não demonstro
Sinto por dentro tudo aquilo que queria expressar sem poder
Hoje eu choro por um amor perdido, amanhã sorrio com os traços angelicais, embora sozinha
Eu sou assim, simplesmente complexa
Indecifrável para os fracos de espírito e sem personalidade
Um ser encantadoramente adorável e leal aos seus amigos
A que sente saudade de detalhes bobos e pequenos, épocas distantes
Uma vez que viajando em meus planos, sonhos, alegrias, tristezas e lembranças, é difícil voltar.


"Não sei quais são as causas, nem quais serão as consequências
(A borboleta bate as asas e o vento vira violência)
Não sei a soma exata, só a ordem de grandeza
Não sermos literais às vezes faz nossa beleza
Às vezes faz nossa cabeça 
Um par de olhos, um pôr de sol
Às vezes faz a diferença
Tentei ficar na minha
Tentei ficar contigo
O que há de mais moderno 
Ainda é um sonho muito antigo
Tentei ser teu futuro
Tentei ser teu amigo
O que há de mais seguro
Também corre perigo
Não sei a quantas anda, é da nossa natureza
Não saber o que fazer às vezes faz nossa certeza
Às vezes faz nossa cabeça
Um par de olhos, um pôr de sol
Às vezes faz a diferença ... "
Sei Não - Engenheiros do Hawaii






Sei Não - Engenheiros do Hawaii

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Não vive mais




A ferida ainda está exposta. Não cicatrizou, não curou, não houve qualquer melhora. A noite silencia os da casa, mas a ferida continua latente, assim como os olhos que não fecharam ainda. Viram-se junto com o corpo dolorido, eles também doem. Procurando um canto escuro da casa que faça com que os olhos cansem-se e fechem-se, porque dormir é o único remédio pra dor pulsante que ainda dilacera. Por não ter se curado, a ferida inflamou e machuca ainda mais. E lembrar vai, cortando, abrindo mais a ferida, machucando mais o que dói por natureza. O adeus foi a arma. Foi essa pequena palavra que fez com que todo um mundo de sonhos caíssem por terra. Feneceu a alegria que brotava do meu interior e o brilho deu lugar ao opaco. O olhar agora expressa nada. Apenas se movem, sem direção, sem orientação, sem vida. Respirar tornou-se mero detalhe.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Difícil Decisão




Apago a luz, deito e começo, incessantemente, a pensar. Vejo os obstáculos à frente e temo ter que abandonar tudo o que é de minha ciência e amor. Eu não desejo ir e temo ser pressionada psicologicamente. Oportunidade assim não se desperdiça, não se deixa escapar. Mas amor igual ao que sinto por tudo que está aqui é inexplicável e não desejo abandoná-los. 
A primeira decisão realmente difícil que devo tomar chegou! E eu que pensei que seria bem mais fácil. Preparos para as surpresas da vida são inúteis, agora eu sei. É em vão pensar que estamos preparado para qualquer coisa que apresente-se a nós. É como tentar ensaiar discursos sentimentais a serem pronunciados à quem se ama, que nunca saem da maneira como desejamos/planejamos/sonhamos.
E quanto à pressão psicológica, bem, o terror sou eu mesma quem cria. Talvez por sempre terem esperado muito de mim, eu sempre vejo-me na obrigação de corresponder à toda e qualquer expectativa e acabo não sendo 100% sincera no que digo/faço. Minha sede de conhecimento diz "Vai! O que está esperando ?!" , enquanto meu coração faz questão de me lembrar os excelentes momentos que passei aqui e ainda tem a coragem de me perguntar "Tem mesmo certeza que quer deixar quem você mais ama aqui e partir ?!" . Nada fácil ..... E mais difícil ainda quando se tem alguém que te completa, que é tudo aquilo que um dia você sempre quis. Eu sinceramente não sei o que fazer! Deveria ir, mas quero tanto ficar ......

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Not its fault




Eu sempre tento me esquivar de pensar em você. Eu estou sempre à espreita do meu coração, para que quando ele comece a morrer aos poucos, eu possa reanimá-lo. Quando eu sei que as horas vão ser lentas e que os dias passarão vagarosamente, sem qualquer pressa, eu corro para a janela e procuro um lugar para olhar que não me lembre você. Mas juntos percorremos por tantos lugares que já não sei mais aonde ir quando fico assim. Não que eu queira ficar assim, nunca quis ..... Mas é algo que foge do meu controle. Infelizmente, meu coração gosta de sentir-se assim. Dói, fica ferido e latejante, por horas. Mas depois fica tudo bem, é só te ver, te ouvir e sentir você ao meu lado que eu fico bem. As tuas mãos quando percorrem o meu rosto suavemente, deslizando como uma leve brisa .... É exatamente disso que meu coração sente falta quando fica muito tempo longe. É por isso que ele sofre tanto a tua ausência, e não o culpo!

terça-feira, janeiro 11, 2011

No cerrado o Sol se põe







Fim de tarde. Horizonte finito pelo cerrado que nos cercava. Tudo tão verde, tão bonito, banhado por um Sol dourado, como há muito não aparecia. Uma verdadeira tarde de verão. Paisagem linda, assim como gosto, fim de tarde, então. Lembro-me das muitas tardes que passei no meu mundo. Às vezes perto de alguém que eu gostasse, mas em sua maioria era apenas eu. Milhares de coisas surgiam na mente e me levavam à escrever alguma coisa. Mas naquela tarde, não tive vontade de escrever. Eu só queria ficar bem quieta, em silêncio, contemplando os teus olhos e tuas palavras que tentavam me distrair do meu estado de transe profundo. Sei que quando fico em silêncio é de se estranhar, acostumei as pessoas a ouvirem minha voz. Mas meu silêncio queria dizer muito mais do que a eloquência. Você disse que eu estava triste, podia até ser, mas eu não sabia como estava me sentindo ou o que sentir naquela hora! Não me senti triste .... Nem me senti. Era nostalgia misturada com algum outro sentimento/sentido. Acho que eu realmente estava sob um transe que veio de lugar algum. Porém, eu não me recordo de ter vivido nenhuma tarde tão linda como aquela. Não por ser verão, não por ter uma paisagem que, particularmente, me chama muito a atenção .... mas pelo simples fato de ter passado aquela tarde ao teu lado! E tudo isso por uma "simples" verdade: Eu amo você tanto quanto amo à mim!

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Dormir



Eu acordei! Estou viva. Posso ver, ouvir e sentir um gosto ruim na boca. Mas estou fria. Meus pulsos parecem estar desfalecendo, desistindo sem minha permissão. O quarto está sob a pálida luz do dia que, já enfraquecida pelas nuvens escuras, tem de ultrapassar a cortina que separa o quarto do frio externo (ou pelo menos tenta passar essa ideia). Está um tanto escuro e as paredes refletem a cor da cortina, um tom bege. Levanto a cabeça, olho para a porta semi-cerrada na esperança de que alguém entre para aquecer-me a alma, mas só o que adentra o quarto é uma leve e congelante brisa, vinda de uma pequena brecha na janela. No arrepio da pele, agarro-me ao cobertor, imaginando se em vez dele fosse um outro corpo, quente, de fato. Encolho-me e sinto os olhos arderem junto com algo preso na garganta. Talvez uma tentativa de choro, dor que quer sair para não se sentir tão só quanto o corpo e alma que habita sentem-se. Esforço-me para alcançar o relógio, o dia nem começou. O Sol ainda está baixo, de acordo com a hora, e os segundos insistem em querer imitar as horas, e lentos e suaves percorrem o relógio. "Ponteiros imprestáveis!", protesto. Não correm, o tempo nem anda. Tão frio, tão solitário, tão vazio. Casa vazia, não há passos, nem vozes, nem pássaros a cantar lá fora. E o que restou? Afogar-me num sono, pois só assim não verei a vagareza dos ponteiros e esquecerei-me do frio, do gosto ruim na boca, da dor presa, em nós na garganta e na ardência dos olhos.

domingo, janeiro 02, 2011

Pertinente







Uma conexão entre nós dois. Uma respiração profunda. Um mergulho em busca de ar. O ar que me tiras enquanto tento, arduamente, manter-me de pé. Uma vez ao teu lado, não quero despedir-me ou desperdiçar qualquer segundo. Mesmo sendo difícil conter minha imensa alegria, que não sabe se guardar em silêncio dentro do meu coração e transborda em olhos reluzentes, gosto de observar os teus passos.Gosto de perpetuar em minha memória a cor dos teus olhos, o formato da tua boca, o teu sussurrar, a tua voz quando diz meu nome. Torno-me imensamente egoísta quando estou contigo. E quando estou longe não sinto o chão, não vejo os ponteiros do relógio andarem tão ligeiros como quando estou com você, não vejo o pôr-do-Sol com a mesma alegria, não sei viver bem. A saudade é um espinho que atormenta-me e satisfaz-se em ver toda a angústia que causa-me. Danos reparáveis, mas dolorosos! Saudade que não passa .....




Ao som do álbum The Division Bell - Pink Floyd

Reticências




O que pensa-se, o que tenta-se escrever, o acorde que falta, a letra que escapa.
Mãos que desenham reticências por entre as folhas de um velho caderno, uma agenda qualquer.
Olhos que não sabem olhar para outro lugar além do horizonte.
Ver o Sol; a chuva que está chegando; o mundo (o seu próprio mundo) caindo, dividido, apartado.
Observar estrelas, os vários pontos de interrogação que se formam e dançam pelo ar.
Um gole de água, uma noite sem fim mesmo com os olhos desvanecendo-se.
A brisa que sopra e mexe a cortina, e que sopra num leve balançar os cabelos, fazendo com que sua visão limite-se até a hora em que você os recoloca no lugar.
Seu corpo dói, mas você não se importa em ter que suportá-la, afinal, o vazio é menos atraente sem dor. Ter que expô-lo sem sacrifício algum é estranho.
Então você se ajeita de hora em hora para poder conseguir continuar a escrever, mas ainda dói. E no fim você pode ver que a dor lhe valeu, pois lhe rendeu algum escrito que talvez só você venha a entender.
Mas que importa? Afinal, a beleza abriga-se nos olhos de quem observa o material em questão.


Uma noite em que não se pode dormir, com as lembranças de um ontem pertinentes à mente, que não sossega e não descansa. Uma mente que está fisicamente esgotada, mas que ainda assim suporta o esgotamento para que a alma possa aliviar-se ao escrever.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Tons e Notas




Ponho suas fotos numa caixa. Fecho-a. Fixo meu olhar na caixa por alguns instantes. Mudo de posição na cama. Ajeito os cabelos num suave toque da mão. Olho para os lados e torno a olhar com atenção para a caixa. Recordo de alguns dos vários momentos que já passei ao teu lado e os olhos não se desprendem da caixa. A caixa significa algo que não se explica. Não ela em si, mas o que há dentro dela. Que faz com que eu sinta as emoções mais puras e mais fortes que eu já pude sentir. Tons de alegria, desejo e saudade vão misturando-se com notas do "Tempo". Só de olhar para a caixa e recordar-me do que há ali dentro, sinto imensa felicidade e lembro que vivo meus melhores dias.
Amo você! ......

Árdua Tarefa



Estou na expectativa pelo dia de amanhã. Sei que não faz muito tempo desde a última vez que nos vimos, mas mesmo assim sinto falta da tua voz, do teu beijo. Eu queria acordar todos os dias e ver que você esteve lá comigo, a noite inteira. Sentir o teu calor logo nas primeiras horas após o amanhecer. Essa minha sede que torna-se cada vez mais insaciável a cada despedida. Com o amanhã já sonhei. E fiz planos que sei que não se concretizarão. Por obra do acaso ou por falta de sorte, eu não sei. A única coisa da qual tenho ciência, é essa vontade dilacerante que não se cala nem quando adormeço. E o que me resta fazer além de esperar, é sentar na calçada, contemplar o céu nublado e as andorinhas a voarem, e escrever. Escrever até que as palavras não consigam mais suportar o fardo de ter que tentar transcrever o que não cabe nem mesmo no meu íntimo. Mas é verão, no final das contas .....

Pensamento distante







27/12/2010


A beleza dos teus olhos que me segue. A luz que ilumina tanto por tão pouco tempo. O Sol que brilhava ontem, hoje já está escondido. As noites se tornam imensas e os dias passam ainda mais lentos. As nuvens retêm os raios de Sol, deixando apenas uma luz tênue e cinzenta. Os dias que costumavam passar em tão pouco tempo tornaram-se infinitos de alguma forma. Ou então vivo dias seguidos achando que ainda é o mesmo. Perdi-me no espaço tempo. Já não sei que horas são, em que dia estou. Eu sinto emoções variadas. Ora saudade, ora medo, ora não sei como eu deveria estar me sentindo ou me portando. Eu apenas vejo, na luz fraca, algo que faz com que eu não sinta a confiança que outrora encheu de vida e expectativa um olhar perdido entre a linha do horizonte e o Sol a se pôr. Não sei se estou certa, nunca sei. Minha dúvida castiga-me, assim como já expus tantas outras vezes que já nem sei quantas. Mas eu seguirei, com ou sem dúvida, com ou sem certeza. Pois meu olhar não se resume ao horizonte.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Pôr-de-Sol




Basta-me um pôr-de-Sol para que venha em minha mente tudo o que espero esquecer. E esqueço-me, por alguns instantes, que essa jornada de esquecimento certamente fracassará. Um céu bonito, um ipê amarelo, lembranças e duas vidas. Hábitos, necessidades e olhares. Passos, ora rápidos ora lentos. De quem tem algum destino, de quem anda sem ele. Chegadas, partidas, ruas, caminhos. Crianças brincam, as luzes piscam dentro das casas com enfeites de final de ano, pássaros voam de volta pra casa e o Sol continua se pôr. Uma brisa serena bate, as folhas das palmeiras mexem-se, tímidas, como que tentando não chamar a atenção, apesar de sua imponente estatura. O céu vai perdendo a cor, a claridade. As nuvens enfeitam-se com os últimos raios solares. A vida segue seu rumo, continua percorrendo o tempo. E eu continuo tentando apagar da mente o que outrora fez-me tão feliz. Saturo minha alma de dúvidas, perguntas sem resposta. Perco meu tempo nesses becos sem saída. Tempo este, que jamais irá voltar a me pertencer ...

quarta-feira, dezembro 22, 2010

A Despedida




Odeio ter que despedir-me. Mas toda vez é assim. Você vem, fica, e ambos queremos que o tempo pare. Ele não é gentil, não para nem por um segundo sequer. E das nossas bocas sai um doído "Tchau" ou "Até logo", enquanto os olhos têm sede do olhar um do outro e se distanciam por pura obrigação. É tão bom estarmos juntos, mas a despedida faz com que isso se torne algo que deva-se temer. Não pelo reencontro, mas pela dor da despedida. E depois de matarmos a saudade, ela invade-nos uma vez mais, fazendo com que os pensamentos fiquem longe. Fazendo com que percamos algumas horas de sono. Fazendo com que nossos corações acelerem-se ao ouvir o nome um do outro. Um arrepio que sobe. Um frio em seu melhor jeito.


"Não olhe pra trás (odeio despedidas)
Diga até mais!
Mesmo se for adeus"
Até Mais - Engenheiros do Hawaii

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Por nós




22 de Novembro de 2010


Algo tão lindo quanto o amor acabou de invadir-me: a esperança! Senti agora aquele frio na barriga de saber que tudo está tão perto de se concretizar .... Ah! te amo tanto. Tanto que nem sei se é saudável. Amo verdadeira, profunda e docemente. Sim, eu amo você. Como jamais tive capacidade de amar outro alguém. Um carinho sem precedentes, sem meio nem fim, só início. E eu sei que será dura nossa empreitada rumo ao futuro, nosso investimento um no outro. Mas de algo tenho plena certeza: JAMAIS te esquecerei. Você sempre será meu grande amor. E mesmo que não saia como planejado, que nada dê certo, eu seguirei torcendo por ti, por nós.