Lost in reverie

Lost in reverie
Mostrando postagens com marcador Com ou sem nexo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Com ou sem nexo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, junho 21, 2011

A Cidade e a Lua




Essa cidade corrida
Hoje me prende em seu concreto
Os planos e a vida
Os toques e os objetos

A saudade se engrandece
Se aproveita dessa prisão
A razão fenece
Aumentando toda solidão

O prédio, a casa, a rua
Sonhando do dia à noite
O Sol, as estrelas, a Lua
É assim em qualquer dia, toda noite

Se eu pudesse escolher
Saberia que não o iria
Mas seria você
Ainda sabendo que morreria

Mas esse cinza não se interessa
Ele só me exige a rotina
Os muros e as grades são apenas promessas
Que ludibriam a retina



" Levamos muito tempo pra descobrir que não é por aí
Não é por nada não
Não, não, não pode ser
É claro que não é
Será ?! "


Muros e Grades - Engenheiros do Hawaii


"Viver assim é um absurdo, como outro qualquer. Como tentar o suicídio ou amar uma mulher"
É o amor que sinto por ti que me faz prisioneira desses muros e grades.
O único que eu ainda não pude esquecer ... 

sábado, abril 30, 2011

10%







Hoje eu senti uma coisa que eu sei que não deveria. Sei que não deveria por conhecer-me, por conhecer-te. Eu sei tão bem que não devo, não posso, não quero. Tanto sei que sinto, sinto e sinto. Arrastando meu coração por entre estranhezas e entranhas do meu passado pensado esquecido. Jogando-me contra mim mesma e sem saber o porquê. Acordaram essa inquietude dentro de mim num comentário desnecessário. O meu azar é que me conheciam melhor do que eu mesma pra saber o que diziam. E foi de repente ... 
Agora eu que dizia ser esquecido e passado, retomo nas lembranças o que eu pensei ter sido passageiro e momentâneo. Estou aprendendo que contigo sempre me rendo e nunca consigo tirar os olhos de tua presença. O teu orgulho impetuoso me atinge e extasia-me em delírio de desejo e tentação. Eu sinto crescer meu infortúnio de te ter ao lado em constância. Já não sei mais lidar com isso, e assim permaneço em inércia. Hoje só cabe-me ficar lembrando dos bons momentos em que eu pude te sentir mais perto, dos olhares encontrados ao acaso e do meu olhar brilhando ao ouvir tua voz do outro lado da linha. 
O meu outono está sendo mágico e encantador, mas acaba me fazendo um pouco mal, pois sei exatamente como é o ser com quem eu queria compartilhar alguma das minhas folhas. Eu conheço muito bem a ponto de saber que jamais seria possível, mesmo que não apenas eu quisesse ... Conheço o suficiente pra saber que DEVE SER MOMENTÂNEO! 


"Tuas palavras
Duras palavras
Como uma prisão
Me deixam de fora
Fora de circulação"

É duro quando todas as músicas que escuto me lembram tudo o que eu queria esquecer ...


Até Quando Você Vai Ficar ? - Engenheiros do Hawaii




As músicas do Engenheiros do Hawaii, todas elas, até a que não gosto, me fazem lembrar de você ... Quisera eu fosse tudo diferente e ao contrário!

sexta-feira, abril 22, 2011

Túrvio







Sophie caminhava pelo interior de sua alma. Estava tudo turvo, escuro demais. Ela tateava os caminhos tentando se encontrar dentro de si, tentando encontrar algo que pudesse fazer com que aquela confusão dentro de si acalmasse-se, para que ela pudesse estar feliz mais alguma vez. Ela passou por entre as lembranças e chorou ao lembrar-se o quanto queria estar vivendo seu passado. Ela desejava tanto encontrar-se nos braços de sua antiga vida, que entrou em colapso. Ela chorou amargamente durante as noites que passavam, sem que o sono lhe acudisse. Ela sonhou em seus poucos minutos de olhos fechados, estar em outro lugar, outra época. Ao escutar as músicas que a transportava em memórias - as suas melhores - ela enfraquecia e sua garganta lhe doía, pois o choro lhe era imposto de pronto, inconscientemente. E assim é. Mesmo da turbulência ela sente falta, pois ainda assim tinha o que lhe protegia e lhe consolava.
Sophie ainda caminha por lá. Ainda continua do mesmo jeito que antes. Ainda está confuso e negro por dentro. Ela ainda tem o mesmo desejo. A mesma saudade, provavelmente maior e mais abrangente. Ela se sente cada vez mais ameaçada, anda nervosa, anda fora de si, anda de cabeça baixa e olhar tristonho. Ela sorri porque não lhe é dada outra opção, não há chances de que se expresse sem ser questionada, não pode - não quer - mostrar o que realmente sente. O orgulho a prende, assim como os nós prendem sua garganta dolorida e sufocada por um choro inconsolável. E assim ela vai se deitar todas as noites. Em solidão, em dores, em tristeza e amargura de espírito. Chorando em silêncio suas dores profundas de quem perdeu o que mais amava em toda a vida ....


"numa cama desfeita
na escuridão
um corpo que se deita
um corpo em tempestade
agora já é tarde"



Eu lhe quero de volta, do mesmo jeito que antes
quero tudo como se encontra no passado.





No Inverno Fica Tarde + Cedo - Engenheiros do Hawaii







"Eu que não sei perder, perdi o sono
Na escuridão, na escuridão"

domingo, abril 03, 2011

A Melhor das Épocas







Isolo-me
Isenta de todo os riscos, com todos eles, mergulhado neles
A incoerência, a carência, a índole e o desejo
A noite cai. Impetuosa, irada, amargurada, adocicada
Pulsa num corte, no sangue a sair
Late no desejo, no afago dos dentes, no calor do beijo
Como se o que fosse o amanhã inexistisse
Um anexo, dos corpos, dos olhares, das bocas
Sentido, retraído, atirado, extasiado
Conseguir o que se queria há certo tempo
Um triunfo, uma conquista ? Talvez ...
Agora não interessa os títulos, se é que há
Sensações, emoções, impertinências, bem como as pertinências
Um corpo trêmulo, contraindo-se de dor e prazer
Um ritmo sufocante, inebriante, deleitante
Ainda sentir, com mesma intensidade, com a mesma sobriedade
Provocar, irritar, compensar
Chamar à si as recordações, as vontades, as motivações
E ver que, no fim das contas, foi melhor assim
A melhor das épocas!




E sim, também os amigos, que por tanto tempo nos acompanham nessa jornada
Aqueles que vieram, que se foram, que continuam, que irão
Os que fazem a diferença num determinado momento ou em todos eles
Os que podemos sentir, longe ou perto
Os que podemos tocar, nem que seja em pensamentos
Transportando-nos aos momentos em que juntos estivemos
Felizes, contentes, tristes, emudecidos
A família que escolhemos para compartilharmos as nossas angústias e conquistas
O que seria de nós - de mim - sem os amigos ?
É também por eles que vivo na melhor das épocas
É devido a eles que tenho a vida cheia de aventuras e de boas histórias para contar, lembrar
É por eles, com eles, que a intensidade instala-se em meu íntimo
E nesse ritmo frenético eu sigo, feliz, a vida que eu sempre quis
Sentindo falta do passado, amando o presente, desejando o futuro ...
A melhor das épocas!



"Remember the days of yesterday
How it flew so fast
The two score and the year we had
I thought would always last

The summer days and West Coast dreams
I wished they never end
A young boy and his father
Idol and best friend

I'll always remember
Those were the best of times
A lifetime together
I'll never forget

Morning shows on the radio
The case of the missing dog
Lying on the pillows of the Odeon Twelve
Watching "Harold and Maude"

Record shops, the stick-ball fields
My home away from home
When we weren't together
The hours on the phone
I'll always remember
Those was the best of times
I'll cherish that forever
The best of times
But then came the call
Our lives change forever more
You can pray for a change
But prepare for the end
The fleeting wings of time
Flying through each day
All the things I should have done
But time just slipped away
Remember "Seize the day"
Life goes by in a blink of an eye
With so much left to say
These were the best of times
I miss these days
Your spirit led my life each day
Thank you for the inspiration
Thank you for the smiles
All the unconditional love
That carried me for miles
It carried me for miles
But most of all
Thank you for my life
These were the best of times
I'll miss these days
Your spirit led my life each day
My heart is bleeding bad
But I'll be okay
Your spirit guides my life each day"



The Best of Times - Dream Theater

Aos meus amigos eu agradeço por todos os momentos bons que passamos e que com certeza ainda passaremos! 
Amo vocês!




The Best of Times - Dream Theater

quarta-feira, março 23, 2011

Acerca das Memórias




23/03/2011                          Brasília (UnB), DF                         13:10

Eu vejo a cidade, as ruas, os prédios e construções. Ora sinto um vazio, ora completo-me satisfatoriamente. Eu quis o afago de um beijo molhado, um corpo suado. Prazer igual à este, jamais tive, bem sei. Foi tão surreal que pensei não estar ali. A mente viajou em vícios externos. Eu não acreditava mesmo que aqueles corpos pudessem estar em união àquela hora. Era um mundo tão perfeito em minha mente, que meus defeitos ficaram em segundo plano. Me senti livre pela primeira vez. As marcas foram mais do que superficiais.
Acerca de tudo isso, pensei em analisar como seriam as situações diversas que pudessem (podem) surgir ao longo do tempo que consome à mim, mas é incapaz de apagar qualquer detalhe que não tenha passado despercebido. A vivacidade das sensações permanece intacta por aqui. E bem, seja como for, não tenho medo do que possa vir depois. Sei que a decisão será tomada e não posso culpar, seja por fracasso ou sucesso. É inconcebível, de minha parte, querer ter mais do que eu já tive e do que eu já pude ter.
O que escrevo são apenas pensamentos perdidos no frágil elo que divide a dúvida da certeza. A realidade é provada inútil para livrar-me de mim mesma. A válvula de escape não possui dispositivos de segurança. O que é seguro inexiste. E como consequência, fito o horizonte com um par de olhos castanhos solitários.






Tempo Perdido - Legião Urbana


quarta-feira, março 16, 2011

Outra Dimensão




A canção parou de tocar. Será que as caixas de som emudeceram ? Perderam o som, o tom, o caminho. Deram passagem ao surgimento da dúvida. Será que o caminho seria encontrado e retomado pelos acordes e melodia ? Voltaria, algum dia, a tocar as notas que outrora me tocaram ? Ah! ...
Como eram suaves as batidas que embalavam meus sentidos. As emoções afloravam em evidência, num arrepio da pele. A sequência de notas progredindo pouco a pouco, elevando a excitação e a expectativa, chegando a um clímax auditivo de intenso deleite. E numa viagem transcendental, ultrapassava o ténue limite entre o que é real e o figurativo. E quando totalmente envolvido num ecstasy, subitamente a urgência da melodia torna-se calmaria e suavidade. A volta do mundo paralelo.
Mas já não tocam mais. As caixas de som da minha vitrola pararam, estão caladas. Me sinto preso de novo à realidade e não consigo ultrapassar a fronteira que me divide do ideal. Com elas em silêncio, sinto-me deslocado de mim mesmo. É como se habitasse um corpo estranho ... Preciso da música. É ela quem move meu ser e estar.










Shine on You Crazy Diamond - Pink Floyd


sábado, março 12, 2011

Alter Ego








Eu poderia correr, me esquivar, me esconder
Eu poderia seguir, sem desistir, sem temer
Eu calculei as variáveis, tentei tomar um gole da intimidade
Não fechei os olhos e não sonhei, era apenas a verdade
Avaliei as chances, os riscos, as probabilidades
De uma relação alter entre eu e meu eu
Dando-me conta de que um velho eu já se perdeu
A imagem invertida atraiu-nos para o fatal
É tão bom quanto é ruim, chega a ser surreal
O jogo de palavras, olhares refletidos, observação
Detalhismo impresso em cada movimento, no pulsar do coração
E com as mãos trêmulas, frias, encosto-as em mim
Sentir o meu calor e tocar-me, dessa maneira pude sentir
Talvez tenha sido a mesma sensação em corpos diferentes
Uma noite fria com um desejo sublime e ardente
Quando o equilíbrio foi quebrado e substituído por algo estranho
Algo intenso, que vem de dentro, que vem dum acanho
A noite não finda e permanece acesa
Mesmo parecendo tudo bem está tudo às avessas


sexta-feira, março 04, 2011

Versos de vitória apesar da solidão




Ela viu o céu desabar
O cinza caía molhando a terra
Batia no telhado e na calçada
Lavava as flores e a alma cansada
Ela deitou na relva e sentiu a chuva forte castigar seu corpo
Ela viajou nos pensamentos de quem está com a mente pesada
Sentiu toda a força de vontade brotando
E levantou-se para prosseguir cantando
Cantigas de vitória dos antigos guerreiros
Vitórias lutadas, sangradas e vencidas no fim das contas
Com o suor que lhes corria pela face venceram
E em seus versos ela via a luz irradiando por sobre ela
Mesmo em toda sua sobriedade, o dia ganhara um novo tom
Tons de alegria enaltecidos pelo ritmo da canção
O mundo não lhe sorria, mas ela o sorrira tentando encontrar a direção
Ela vira a esperança ressurgindo com os raios tímidos de sol
Então ela ergueu a cabeça e orgulhosa seguiu seu caminho
Não houve erros, culpa
Sozinha, sem medo do futuro, com um olhar emoldurado em seu rosto branco
Um sorriso esboçado, mas confiante
E se foi ... Triste, feliz, confiante, sozinha ...

quinta-feira, março 03, 2011

É difícil voltar





Na simplicidade dos meus versos vou cantando, contando, compondo
Vou seguindo os olhos de meu observador e o guio por entre caminhos perdidos de minh'alma
Caminhando sozinha pelos vales que despertam com o raiar do Sol
Não rimo, não dou ritmo, não sigo qualquer destino
Caminho meu é o que trilho no momento
O futuro é incerto mas ainda assim o invento
De mil maneiras num distante pensamento
Sem querer descubro a solidão, que me arrasta para junto dela sem qualquer perdão
Voando calada voo rasante
Espreito quem desejo e evito o dia
Não dou pista, não falo, não demonstro
Sinto por dentro tudo aquilo que queria expressar sem poder
Hoje eu choro por um amor perdido, amanhã sorrio com os traços angelicais, embora sozinha
Eu sou assim, simplesmente complexa
Indecifrável para os fracos de espírito e sem personalidade
Um ser encantadoramente adorável e leal aos seus amigos
A que sente saudade de detalhes bobos e pequenos, épocas distantes
Uma vez que viajando em meus planos, sonhos, alegrias, tristezas e lembranças, é difícil voltar.


"Não sei quais são as causas, nem quais serão as consequências
(A borboleta bate as asas e o vento vira violência)
Não sei a soma exata, só a ordem de grandeza
Não sermos literais às vezes faz nossa beleza
Às vezes faz nossa cabeça 
Um par de olhos, um pôr de sol
Às vezes faz a diferença
Tentei ficar na minha
Tentei ficar contigo
O que há de mais moderno 
Ainda é um sonho muito antigo
Tentei ser teu futuro
Tentei ser teu amigo
O que há de mais seguro
Também corre perigo
Não sei a quantas anda, é da nossa natureza
Não saber o que fazer às vezes faz nossa certeza
Às vezes faz nossa cabeça
Um par de olhos, um pôr de sol
Às vezes faz a diferença ... "
Sei Não - Engenheiros do Hawaii






Sei Não - Engenheiros do Hawaii

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

O que sou







Hoje eu sei o que sou
Hoje eu sei que nada daquela outra metade restou
Sou alguém renovada
Talvez com a mesma cara
Sou tempestade em copo d'água
Sou furacão de brisas
A neblina da alvorada
Sou a lágrima que dança pelas maçãs do rosto
E toda a sua frieza
Sou o cálculo e o movimento atrevido
Uma icógnita de desejos indevidos
A brisa que lhe beija e faz os papéis voarem
O alimento do fogo e o tempo
A serpente que espreita, selvagem
O início do incêndio ou um acalento
Sou planta, sou doce, sou Mel.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Cartas




Não há lembranças mais vívidas, mais reais, mais saudosas do que as tuas
São elas feitas de luzes, cores, texturas, contextos
São elas, todas elas, feitas de amor, carinho e afeto, paixão
Momentos que revivo com intensidade
Intensidade essa que faz com que eu consiga sentir tua presença
Que se faz essencial para mim à cada dia
É sentir a emoção de te encontrar pela primeira vez
É ver o teu sorriso tímido espelhado em uma parede branca
Ter você em meus braços e sentir tudo que é bonito vindo de nós dois
E acho que de tanto sentimento que há em mim, passo horas escrevendo
Escrevendo cartas que nunca vou mandar
A diferença é que meu amor não é secreto!
Amor, amor, amor .....

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Nostalgia por excelência (ou por hábito mesmo)







O que foi bom ressurge de velhas canções. Ressurge das profundezas da memória e abrigam-se num canto do coração, que te faz viajar por longas eras até que você reviva cada segundo do que te fez tão feliz. Ressurgem, sem explicação, velhas lembranças, pessoas que não se recordava há um tempo, coisas que fizeram de você o que és hoje. E chega a dar um aperto no peito de tanta falta que tudo aquilo faz. Amigos, conhecidos, momentos, locais, pessoas que lhe acrescentaram qualquer coisa que te fez melhor. Histórias, jeitos, costumes, hábitos. Velha mania de ficar relembrando. Velho hábito de imersão em nostalgia .....




Ao som de Rhapsody of Fire.
As canções que me fazem lembrar de pessoas que há muito deixei ...
Algumas ainda persistem em minha vida, mas outras se foram. E tem até mesmo as que se foram sem eu saber o  porquê .....

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Não vive mais




A ferida ainda está exposta. Não cicatrizou, não curou, não houve qualquer melhora. A noite silencia os da casa, mas a ferida continua latente, assim como os olhos que não fecharam ainda. Viram-se junto com o corpo dolorido, eles também doem. Procurando um canto escuro da casa que faça com que os olhos cansem-se e fechem-se, porque dormir é o único remédio pra dor pulsante que ainda dilacera. Por não ter se curado, a ferida inflamou e machuca ainda mais. E lembrar vai, cortando, abrindo mais a ferida, machucando mais o que dói por natureza. O adeus foi a arma. Foi essa pequena palavra que fez com que todo um mundo de sonhos caíssem por terra. Feneceu a alegria que brotava do meu interior e o brilho deu lugar ao opaco. O olhar agora expressa nada. Apenas se movem, sem direção, sem orientação, sem vida. Respirar tornou-se mero detalhe.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Not its fault




Eu sempre tento me esquivar de pensar em você. Eu estou sempre à espreita do meu coração, para que quando ele comece a morrer aos poucos, eu possa reanimá-lo. Quando eu sei que as horas vão ser lentas e que os dias passarão vagarosamente, sem qualquer pressa, eu corro para a janela e procuro um lugar para olhar que não me lembre você. Mas juntos percorremos por tantos lugares que já não sei mais aonde ir quando fico assim. Não que eu queira ficar assim, nunca quis ..... Mas é algo que foge do meu controle. Infelizmente, meu coração gosta de sentir-se assim. Dói, fica ferido e latejante, por horas. Mas depois fica tudo bem, é só te ver, te ouvir e sentir você ao meu lado que eu fico bem. As tuas mãos quando percorrem o meu rosto suavemente, deslizando como uma leve brisa .... É exatamente disso que meu coração sente falta quando fica muito tempo longe. É por isso que ele sofre tanto a tua ausência, e não o culpo!

terça-feira, janeiro 11, 2011

No cerrado o Sol se põe







Fim de tarde. Horizonte finito pelo cerrado que nos cercava. Tudo tão verde, tão bonito, banhado por um Sol dourado, como há muito não aparecia. Uma verdadeira tarde de verão. Paisagem linda, assim como gosto, fim de tarde, então. Lembro-me das muitas tardes que passei no meu mundo. Às vezes perto de alguém que eu gostasse, mas em sua maioria era apenas eu. Milhares de coisas surgiam na mente e me levavam à escrever alguma coisa. Mas naquela tarde, não tive vontade de escrever. Eu só queria ficar bem quieta, em silêncio, contemplando os teus olhos e tuas palavras que tentavam me distrair do meu estado de transe profundo. Sei que quando fico em silêncio é de se estranhar, acostumei as pessoas a ouvirem minha voz. Mas meu silêncio queria dizer muito mais do que a eloquência. Você disse que eu estava triste, podia até ser, mas eu não sabia como estava me sentindo ou o que sentir naquela hora! Não me senti triste .... Nem me senti. Era nostalgia misturada com algum outro sentimento/sentido. Acho que eu realmente estava sob um transe que veio de lugar algum. Porém, eu não me recordo de ter vivido nenhuma tarde tão linda como aquela. Não por ser verão, não por ter uma paisagem que, particularmente, me chama muito a atenção .... mas pelo simples fato de ter passado aquela tarde ao teu lado! E tudo isso por uma "simples" verdade: Eu amo você tanto quanto amo à mim!

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Dormir



Eu acordei! Estou viva. Posso ver, ouvir e sentir um gosto ruim na boca. Mas estou fria. Meus pulsos parecem estar desfalecendo, desistindo sem minha permissão. O quarto está sob a pálida luz do dia que, já enfraquecida pelas nuvens escuras, tem de ultrapassar a cortina que separa o quarto do frio externo (ou pelo menos tenta passar essa ideia). Está um tanto escuro e as paredes refletem a cor da cortina, um tom bege. Levanto a cabeça, olho para a porta semi-cerrada na esperança de que alguém entre para aquecer-me a alma, mas só o que adentra o quarto é uma leve e congelante brisa, vinda de uma pequena brecha na janela. No arrepio da pele, agarro-me ao cobertor, imaginando se em vez dele fosse um outro corpo, quente, de fato. Encolho-me e sinto os olhos arderem junto com algo preso na garganta. Talvez uma tentativa de choro, dor que quer sair para não se sentir tão só quanto o corpo e alma que habita sentem-se. Esforço-me para alcançar o relógio, o dia nem começou. O Sol ainda está baixo, de acordo com a hora, e os segundos insistem em querer imitar as horas, e lentos e suaves percorrem o relógio. "Ponteiros imprestáveis!", protesto. Não correm, o tempo nem anda. Tão frio, tão solitário, tão vazio. Casa vazia, não há passos, nem vozes, nem pássaros a cantar lá fora. E o que restou? Afogar-me num sono, pois só assim não verei a vagareza dos ponteiros e esquecerei-me do frio, do gosto ruim na boca, da dor presa, em nós na garganta e na ardência dos olhos.