Lost in reverie

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sábado, junho 04, 2011

O que adianta ?




Gama, DF                      04 de Junho de 2011



Eu sei que nada está sobrando de mim ultimamente
Tenho andado tão distraído e tão perdido pelas ruas vazias e desérticas da minha cidade
As luzes que iluminam por entre as árvores já não me servem mais de consolo
Eu deito sozinho em meu quarto, coloco as músicas que outrora escutei contigo e choro calado
Por lembrar de tudo o que passamos, por lembrar de que somos tão parecidos, por lembrar de que jamais lhe tive em meus braços
As lágrimas que antes eu segurava, agora saem espontâneamente
E quando eu penso que sou forte o bastante e que isso não mudaria em nada minha vida, é aí que começo a cair em câmera lenta
Escuto cada acorde e penso naquela noite acidental
Escuto cada tom e lembro das palavras, do teu jeito, da tua cara de sono
Mas eu estava em silêncio
Talvez tentando pensar que rumo minha vida tomava, sabendo de tudo e nada ao mesmo tempo
Minha sorte, creio, é que àquela época eu não sabia que ainda estava guardado todos esses nós em minha garganta
Porém, só o que posso ver entre nós é a crescente distância
Os abismos vão nos separando, mas eu queria tanto que você fizesse parte do meu mundo ...




"Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
...
Eu estive aqui o tempo todo, só você não viu"




Na Sua Estante - Pitty



"Eu não ficaria bem na sua estante"

E de que adianta sermos tão parecidos ?? De eu ter os 10% teus ?! De nada me vale ...

Tempo de composição: 17h - 17h15

quarta-feira, maio 25, 2011

Tu, e o que não posso



A tua voz se espalha pela casa vazia. 
Procura os cantos esquecidos e se abriga em meus ouvidos, trazendo consigo as velhas lembranças que jaziam na desmemória. 
A voz triunfante com seus tons de sorriso. 
Em sua arrogância.
Ah, sim! Tua arrogância ... É admirável, irritante, impressionante, apaixonante. 
"Não, não posso. Não é possível" 
Vou me enganando por essas estradas sinuosas que nem sei se me levam à você. 
O que é bem provável que não, pois não te quero. 
Te desejo, mas não te quero. 
Te amo, mas não te quero.
É insano, mas não te quero!
És os meus defeitos, és as minhas qualidades, és as minhas manias.
Em nossas cores escrevi teu nome, mas não guardo as fotos e nem a lembrança do teu toque.
Pois não as tenho, e nem quero tê-las.
Mesmo que eu guarde esse amargo meu, de nunca ter experimentado o doce do teu veneno
Jamais irei provar dos teus lábios.
Pois são para mim o que não deveriam significar!




"Eu que não fumo, queria um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci dez anos ou mais neste último mês" 





Eu Que Não Amo Você - Engenheiros do Hawaii




Eu não voltei, pois jamais fui. Eu não fui, pois jamais pertenci. E pretendo continuar assim!

sexta-feira, maio 13, 2011

It's Hard To




Essas paisagens que se calam diante de minha presença
Indesejado tornou-se todos os meus sentidos e fiz como que quisesse fugir de minha realidade
Senti nas veias surgir alguma espécie de grande desvelo por algo que, sinceramente, sempre odiei em meu íntimo
São essas noites insones que, aos poucos, vão matando tudo o que restou dessas flores outrora vivas e de cor
É como se quando eu escutasse as canções, eu lentamente fosse tirando de mim a vida que restava, pois, de fato, em detrimento eu já me encontrava
E agora eu já não sei se é dia ou noite, frio ou calor, alegria ou solidão ... Apenas vivo esses dias como quem nada quer, como quem deseja a morte ou o desaparecimento
...
Voltando para casa, meus pedaços vão ficando para trás junto com os meus passos
Eu sigo em silêncio perturbador, constante, passos firmes e doloridos, e vendo-me ficando para trás a seguir outro caminho
Um caminho em o qual já o encontrei e depois o perdi de vista, sem me importar
Agora, quanto mais desejo aquela presença, mais sinto-me distante, e melhor eu acho, e pior me sinto, e sem sentido algum no que sinto vou seguindo
Eu queria abrir os braços e apenas sentir o vento ... Mas é o calor dos braços teus que desejo


"Jovem de coração. E fica tão difícil de esperar
Quando ninguém que eu conheço parece poder me ajudar agora
...
Ainda falando comigo mesmo. E ninguém está em casa ... (Sozinho)" 
Estranged - Guns n' Roses

Eu sinceramente não entendo tudo o que eu quero dizer ... Eu sinceramente não sei como eu fui chegar aqui, assim ... Não sei ... Nada sei!


Estranged - Guns n' Roses

 

terça-feira, maio 03, 2011

Surreal




03 de Maio de 2011                                                                           Gama, DF

Eu vivi minha vida inteira, procurando alguém que me fizesse existir. Existir e ser feliz por isso. Pensei ter achado tal pessoa, mas já me disseram, duas vezes, por outras afirmações, que eu estava completamente enganada. Quem faz com que eu exista nem mesmo sabe disso. Vivemos vidas paralelas, com perspectivas desiguais e disformes. O seu mundo desprende-se do meu e em algum momento une-nos por laços invisíveis e dimensões desconhecidas. Já ficamos tão próximos e proporcionalmente tão distantes. Mas a canção, que há tanto tempo embala nossas vidas, afirma que o céu é só uma promessa. E em nossa pressa vamos em outras direções.
A ele refiro-me, com ele eu falo, por meio das mais diversas subjetividades, que tornam-se tão óbvias na percepção de terceiros diretos, e tão fugaz aos olhos, meus e dele. Surpreendendo-me, verdades foram ditas sem que eu nem ao menos pudesse notar que existissem. Sendo assim, agora, sem que eu perceba, começo a pensar o que achei por tanto tempo já ser página virada. E reparando detalhes da veracidade com que me açoitam essas palavras, consigo notar o sentido existente no que pra mim parecia ser tão normal.

"Agora, que a Terra é redonda
E o centro do Universo é outro lugar
É hora de rever os planos
O mundo não é plano,
Não pára de girar"

Agora, vendo -e sabendo (sem entender)- de tudo, muita coisa faz sentido. Mas tudo continua dúbio e estranho e sem sentido e confuso. Não sei o que sinto, é verdade, mas como eu não pude notar que algo -por mais anormal que fosse- estava, e de fato ainda está, acontecendo dentro de mim ? Isso, por mais que eu não saiba o que vai acontecer daqui em diante, permanecerá sempre como um ponto de interrogação em minha cabeça. Ainda mais por eu me julgar tão racional ...


"E o teu olhar sempre distante sempre me engana"

E não esqueço jamais que tudo isso, toda essa dúvida mortificante, DEVE SER MOMENTÂNEO!


Refrão de Bolero - Engenheiros do Hawaii




Já me disseram que o Gessinger fez essa música sem nem ao menos ter tocado na tal da Ana ... Se for assim, combina perfeitamente com o que eu quero dizer -com uma pequena mudança de gênero, claro!




Tempo de composição: 00:25 à 01:20

sábado, abril 23, 2011

Sad Times




Me envolve um turbilhão de sons e imagens liquefeitos do passado distante de minh'alma. Sorri-se das boas lembranças e mesmo assim chora-se querendo revivê-las. Refaz-se o futuro incerto e sombrio, que agora não sabe o que se faz, resume-se, refaz-se. A breve vida e seu sopro que joga-nos como poeira aos ventos. O ar é rarefeito nas profundezas da alma de solidão. E a luz é quase inexistente, exceto pela última fagulha de esperança que ainda resta, da última chama de qualquer coisa que tenha invadido o corpo com algum sentimento bom. 
Eu sinto aquele vazio torturante, que me seria mais fácil que a morte consumisse-me. O vazio que afoga-me em desespero e desconsolo, pois não tenho as mãos que outrora afagavam-me os cabelos. E com vícios eu tento diminuí-lo por dentro, tento preencher o espaço enorme que, ironicamente, esse vazio ocupa. Eu, que sempre fui acostumada a enxergar o futuro com um brilho resplandecente no olhar, agora só consigo emitir o brilho de uma lágrima que cai, esvai, flui. Não porque eu queira ... mas porque é a única opção que me oferta a vida neste momento. Já tentei traçar uma rota que tirasse-me desta outra, mas a solução que vejo agora apreende-me, pois dependo de outros fatores para que funcione. E aquele sorriso triunfante e intrépido que meu rosto emoldurava a tão pouco tempo atrás, tornou-se como a palavra dita e não permaneceu. Restou a lembrança, apenas. Voltou a dor, a raiva e a tristeza que já antes habitara-me; e agora tudo torna-se parte de mim, deveras .... Mais uma vez!


E que o momento torne-me débil de emoção, pois estou prestes a chorar em dores e angustia. 





Pra Ficar Legal - Engenheiros do Hawaii


sexta-feira, abril 22, 2011

Túrvio







Sophie caminhava pelo interior de sua alma. Estava tudo turvo, escuro demais. Ela tateava os caminhos tentando se encontrar dentro de si, tentando encontrar algo que pudesse fazer com que aquela confusão dentro de si acalmasse-se, para que ela pudesse estar feliz mais alguma vez. Ela passou por entre as lembranças e chorou ao lembrar-se o quanto queria estar vivendo seu passado. Ela desejava tanto encontrar-se nos braços de sua antiga vida, que entrou em colapso. Ela chorou amargamente durante as noites que passavam, sem que o sono lhe acudisse. Ela sonhou em seus poucos minutos de olhos fechados, estar em outro lugar, outra época. Ao escutar as músicas que a transportava em memórias - as suas melhores - ela enfraquecia e sua garganta lhe doía, pois o choro lhe era imposto de pronto, inconscientemente. E assim é. Mesmo da turbulência ela sente falta, pois ainda assim tinha o que lhe protegia e lhe consolava.
Sophie ainda caminha por lá. Ainda continua do mesmo jeito que antes. Ainda está confuso e negro por dentro. Ela ainda tem o mesmo desejo. A mesma saudade, provavelmente maior e mais abrangente. Ela se sente cada vez mais ameaçada, anda nervosa, anda fora de si, anda de cabeça baixa e olhar tristonho. Ela sorri porque não lhe é dada outra opção, não há chances de que se expresse sem ser questionada, não pode - não quer - mostrar o que realmente sente. O orgulho a prende, assim como os nós prendem sua garganta dolorida e sufocada por um choro inconsolável. E assim ela vai se deitar todas as noites. Em solidão, em dores, em tristeza e amargura de espírito. Chorando em silêncio suas dores profundas de quem perdeu o que mais amava em toda a vida ....


"numa cama desfeita
na escuridão
um corpo que se deita
um corpo em tempestade
agora já é tarde"



Eu lhe quero de volta, do mesmo jeito que antes
quero tudo como se encontra no passado.





No Inverno Fica Tarde + Cedo - Engenheiros do Hawaii







"Eu que não sei perder, perdi o sono
Na escuridão, na escuridão"

quarta-feira, abril 20, 2011

Pretérito Perfeito







A palavra escorre pelos ventos, deslizando pelos corredores de brisas que carregam as folhas secas que acumulam-se ao chão. Palavras em pedaços, despedaçadas, inteiras e pela metade. São folhas. De cadernos, agendas. De árvores. Sim, elas flutuam e pairam no ar, aterrissando com leveza absurda. Queria eu que essa leveza de espírito fosse minha, e pudesse ser levada aonde os ventos que sopram do sul me levassem. 
A Lua surgindo, gigante, imponente e estonteantemente linda. Olhá-la e desejar que o mundo acabasse enquanto aquela sensação ainda permanecesse nos olhos, na alma, que em solidão se encontra. É vê-la e sentir antigas sensações brotando, como água cristalina. É observá-la e querer voltar no tempo, em que os Sol brilhava mais manso e as preocupações não invadiam a alma fazendo-a chorar. Oh! Sim ... Tudo era mais bonito e mais simples. Daí vem sua beleza. Quando o lidar com as pessoas não machucava, nem a si nem a outros. Quando problemas eram continhas de divisão matemática. Quando a raiva era de não poder ir brincar na rua porque já era tarde. Como eu queria voltar a esse tempo. Vivemos a infância e adolescência querendo crescer e sermos "livres". Mas a liberdade às vezes é triste, pois temos que lidar com coisas com as quais não somos habituados. Crescer é difícil, pois os espinhos da vida começam a arranhar mais profundamente, eles agora já podem nos alcançar bem. Tempo esse que não volta ... E daqui em diante, a vida só irá machucar e calejar mais e mais. Espero que todos tenham suas bases de apoio e corações que lhes confortam as mágoas e as dores. Pois sem isso, é inconcebível que prossigamos a vida. É, impossível!




"Devem ser o que chamam túnel do tempo
Ano 2000 era futuro há pouco tempo atrás"

A vida sabe como lidar conosco.
Nós é que nem sempre sabemos lidar com ela ...



Túnel do Tempo - Engenheiros do Hawaii









"Como que eu sentisse uma pontada de dor, a saudade veio me invadindo. Foi em tanta quantidade que não a contive e meus olhos transbordaram de uma tristeza lúgubre e profunda. Como pude eu deixar tudo isso pra trás ?! Como eu pude ser tão cruel ?! ..."

sexta-feira, abril 15, 2011

Mixed







Senhor das minhas vontades e desejos ... Tempo é esse que me consome e o aumenta. Flores são as que jogo no caminho para perfumar. E sentir o teu cheiro, junto ao amanhecer, é que me apraz. Saber que o sol está a se levantar e mais uma noite, madrugada inteira, foi em teu olhar. Sentindo o frio que arrepia, às primeiras horas da manhã. Ah, sim! Era mágico, era engraçado, era frustrante, era assustador. Sim, era tudo isso e algo a mais. Bom era sentir, num abraço, alguma espécie de ternura. Talvez a mesma que eu sinto, talvez menos, talvez mais. Talvez e talvez. Desejo puro, misturado, irado. Verdade é que o quero, intenso. O que há? O que houve? O que é tudo isso? Explicar é que não sei, mesmo! E eu sei quase tão pouco, e me vejo sem saber o que dizer, como reagir, agir, instintivamente, instantâneamente. Chego a notar que é meio loucura, meio insano, meio ... não possuo termos. É, é. Ou já não é?!
Tarde -cedo- demais pra sair dessa. Agora, aqui, eu preciso. Mas não consigo. Não posso. Não devo. Não vou ... Mas meu ego quer, deseja, insensato, egoísta. Volve-se meu olhar em danças, movimentos, argumentos, atração. Magnete. 
Tentando rebuscar qualquer juízo que possa ainda existir. Recolocar na mente o que já se foi, agora eu sei que se foi. E se eu quiser voltar atrás, não poderei. Não mais. Eu fui embora, não voltarei. Por saber demais sobre mim, ou nada saber! Eis o que estou tentando fazer: me encontrar. Eu quero me achar. Quero me saborear, só para saber como seria. Enquanto, ao mesmo tempo, não quero. Sou como sou e sei que é ruim. Sentir e dessentir. Tudo bem, não me entende -nem eu mesmo me entendo-, é normal.






"You can feel the waves coming on
(It's time to take the time)
Let them destroy you or carry you on
(It's time to take the time)
You're fighting the weight of the world
But no one can save you this time
Close your eyes
You can find all you need in your mind"









Take the Time - Dream Theater





Há aqui tantas coisas ... e momentos que misturei por instinto e loucura.




"Hoje eu não sei se quero ser a tempestade, mas ainda assim sinto que ela não se acalmou ..."

sábado, abril 09, 2011

Can't keep







Alone, I've been going
From side to side
Living, leaving, being left
Guilt or not, doesn't matter
I can't, I can, I should or not
I don't know what to say
Am I supposed to say something ?
I will never know
Giving my best, myself
Leaving what I shouldn't
But this is the kind of situation on that I always satisfy myself
My ego is speaking so loud, it's screaming from the inside
Inside is confused, lost, found, crazy, hell
This way I go insane
Something will remain there, I don't know for how long
But it will
And that's me, begging myself to leave what left from me
A distant me, an unknown me
Answers that go away ...
Light kisses my face, light blows at me
And it hits me, hurts me, kills me slowly
Inevitably I'll miss, but I couldn't keep on




"Tentei ser teu futuro
Tentei ser teu amigo
... O que há de mais seguro
Também corre perigo"


Nem sempre há qualquer resposta aceitável, viável, agradável
Nem sempre, quase nunca, há algo que nos faça bem
E quando achamos esse algo queremo tê-lo pra sempre
Mas nem sempre as circunstâncias concordam conosco
Então, temos de ceder à vida ...


"Ando só, pois só eu sei
Pra onde ir, por onde andei
Ando só, nem sei porque"




Ando Só - Engenheiros do Hawaii




quarta-feira, março 16, 2011

Outra Dimensão




A canção parou de tocar. Será que as caixas de som emudeceram ? Perderam o som, o tom, o caminho. Deram passagem ao surgimento da dúvida. Será que o caminho seria encontrado e retomado pelos acordes e melodia ? Voltaria, algum dia, a tocar as notas que outrora me tocaram ? Ah! ...
Como eram suaves as batidas que embalavam meus sentidos. As emoções afloravam em evidência, num arrepio da pele. A sequência de notas progredindo pouco a pouco, elevando a excitação e a expectativa, chegando a um clímax auditivo de intenso deleite. E numa viagem transcendental, ultrapassava o ténue limite entre o que é real e o figurativo. E quando totalmente envolvido num ecstasy, subitamente a urgência da melodia torna-se calmaria e suavidade. A volta do mundo paralelo.
Mas já não tocam mais. As caixas de som da minha vitrola pararam, estão caladas. Me sinto preso de novo à realidade e não consigo ultrapassar a fronteira que me divide do ideal. Com elas em silêncio, sinto-me deslocado de mim mesmo. É como se habitasse um corpo estranho ... Preciso da música. É ela quem move meu ser e estar.










Shine on You Crazy Diamond - Pink Floyd


domingo, março 13, 2011

Desabrigo







Hoje, deitada na cama, sob um dia perfeito de chuva e céu escuro, senti algo que há muito não sabia existir. O quarto estava pálido, sóbrio. As letras do livro o qual eu tentava arduamente ler começaram a embaralhar-se, formando códigos ilegíveis, indecifráveis. 
Um turbilhão fazia com que meu corpo estremecesse e me lançava contra os meus muros de proteção. Eu tentava escapar, mas dentro de mim não há refúgio para eu mesma. Todos guardados sãos e salvos, mas eu sobrava em algum canto desprotegido e totalmente vulnerável. Eu não consigo fugir do que eu sinto. 
A convivência 24 horas comigo mesma fez-me fechar algumas portas e abrir os olhos. Sentir com intensidade o que me dá prazer descomunal, alegria intensa e trajada. Trajes galantes e sorrisos emoldurados numa face fria. O caminho por detrás perfumado pela fragrância excepcional e marcante de quem sabe o que quer e nada pode-se fazer à respeito. 
Eu desejei outrora ser como o pássaro, livre de tudo. Mas aprendi, observando cada passo e suas consequências, que não posso privar-me das obrigações e dos meus objetivos. Devo lutar por eles até o fim (seja a sua conquista ou o meu próprio fim). E não os desisto mesmo sob enfrentamento de desejos. E meu desejo agora opõe-se ao que realmente posso. Está num horizonte que, distante, mistura-se com as cores de um Sol tímido tentando penetrar as nuvens pesadas. Mas também aprendi que esse desejo não posso deter. É um amor mental. É um amor alter ego.

sábado, março 12, 2011

Alter Ego








Eu poderia correr, me esquivar, me esconder
Eu poderia seguir, sem desistir, sem temer
Eu calculei as variáveis, tentei tomar um gole da intimidade
Não fechei os olhos e não sonhei, era apenas a verdade
Avaliei as chances, os riscos, as probabilidades
De uma relação alter entre eu e meu eu
Dando-me conta de que um velho eu já se perdeu
A imagem invertida atraiu-nos para o fatal
É tão bom quanto é ruim, chega a ser surreal
O jogo de palavras, olhares refletidos, observação
Detalhismo impresso em cada movimento, no pulsar do coração
E com as mãos trêmulas, frias, encosto-as em mim
Sentir o meu calor e tocar-me, dessa maneira pude sentir
Talvez tenha sido a mesma sensação em corpos diferentes
Uma noite fria com um desejo sublime e ardente
Quando o equilíbrio foi quebrado e substituído por algo estranho
Algo intenso, que vem de dentro, que vem dum acanho
A noite não finda e permanece acesa
Mesmo parecendo tudo bem está tudo às avessas


sexta-feira, março 04, 2011

Versos de vitória apesar da solidão




Ela viu o céu desabar
O cinza caía molhando a terra
Batia no telhado e na calçada
Lavava as flores e a alma cansada
Ela deitou na relva e sentiu a chuva forte castigar seu corpo
Ela viajou nos pensamentos de quem está com a mente pesada
Sentiu toda a força de vontade brotando
E levantou-se para prosseguir cantando
Cantigas de vitória dos antigos guerreiros
Vitórias lutadas, sangradas e vencidas no fim das contas
Com o suor que lhes corria pela face venceram
E em seus versos ela via a luz irradiando por sobre ela
Mesmo em toda sua sobriedade, o dia ganhara um novo tom
Tons de alegria enaltecidos pelo ritmo da canção
O mundo não lhe sorria, mas ela o sorrira tentando encontrar a direção
Ela vira a esperança ressurgindo com os raios tímidos de sol
Então ela ergueu a cabeça e orgulhosa seguiu seu caminho
Não houve erros, culpa
Sozinha, sem medo do futuro, com um olhar emoldurado em seu rosto branco
Um sorriso esboçado, mas confiante
E se foi ... Triste, feliz, confiante, sozinha ...

quinta-feira, março 03, 2011

É difícil voltar





Na simplicidade dos meus versos vou cantando, contando, compondo
Vou seguindo os olhos de meu observador e o guio por entre caminhos perdidos de minh'alma
Caminhando sozinha pelos vales que despertam com o raiar do Sol
Não rimo, não dou ritmo, não sigo qualquer destino
Caminho meu é o que trilho no momento
O futuro é incerto mas ainda assim o invento
De mil maneiras num distante pensamento
Sem querer descubro a solidão, que me arrasta para junto dela sem qualquer perdão
Voando calada voo rasante
Espreito quem desejo e evito o dia
Não dou pista, não falo, não demonstro
Sinto por dentro tudo aquilo que queria expressar sem poder
Hoje eu choro por um amor perdido, amanhã sorrio com os traços angelicais, embora sozinha
Eu sou assim, simplesmente complexa
Indecifrável para os fracos de espírito e sem personalidade
Um ser encantadoramente adorável e leal aos seus amigos
A que sente saudade de detalhes bobos e pequenos, épocas distantes
Uma vez que viajando em meus planos, sonhos, alegrias, tristezas e lembranças, é difícil voltar.


"Não sei quais são as causas, nem quais serão as consequências
(A borboleta bate as asas e o vento vira violência)
Não sei a soma exata, só a ordem de grandeza
Não sermos literais às vezes faz nossa beleza
Às vezes faz nossa cabeça 
Um par de olhos, um pôr de sol
Às vezes faz a diferença
Tentei ficar na minha
Tentei ficar contigo
O que há de mais moderno 
Ainda é um sonho muito antigo
Tentei ser teu futuro
Tentei ser teu amigo
O que há de mais seguro
Também corre perigo
Não sei a quantas anda, é da nossa natureza
Não saber o que fazer às vezes faz nossa certeza
Às vezes faz nossa cabeça
Um par de olhos, um pôr de sol
Às vezes faz a diferença ... "
Sei Não - Engenheiros do Hawaii






Sei Não - Engenheiros do Hawaii

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Não vive mais




A ferida ainda está exposta. Não cicatrizou, não curou, não houve qualquer melhora. A noite silencia os da casa, mas a ferida continua latente, assim como os olhos que não fecharam ainda. Viram-se junto com o corpo dolorido, eles também doem. Procurando um canto escuro da casa que faça com que os olhos cansem-se e fechem-se, porque dormir é o único remédio pra dor pulsante que ainda dilacera. Por não ter se curado, a ferida inflamou e machuca ainda mais. E lembrar vai, cortando, abrindo mais a ferida, machucando mais o que dói por natureza. O adeus foi a arma. Foi essa pequena palavra que fez com que todo um mundo de sonhos caíssem por terra. Feneceu a alegria que brotava do meu interior e o brilho deu lugar ao opaco. O olhar agora expressa nada. Apenas se movem, sem direção, sem orientação, sem vida. Respirar tornou-se mero detalhe.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Dear, don't forget me!







Love is the meaning for all this we feel. I miss you every single day and the flowers you gave me don't let me forget this! The remembrance, the emotions I feel when I talk to you, when I hear your name, when I wake up. I dreamed with you last night, and well, I almost never have dreams. Maybe we must get appart for a while, but darling, trust me, I'll be the one who'll suffer the most! You have no idea how I'm already suffering with the probability of going away from here. There's no assurance, but thinking further, I'm already suffering. Just don't doubt this: I LOVE YOU! More than I thought, more than I could, more than I should ...... I love you. I really do love you ......

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Dormir



Eu acordei! Estou viva. Posso ver, ouvir e sentir um gosto ruim na boca. Mas estou fria. Meus pulsos parecem estar desfalecendo, desistindo sem minha permissão. O quarto está sob a pálida luz do dia que, já enfraquecida pelas nuvens escuras, tem de ultrapassar a cortina que separa o quarto do frio externo (ou pelo menos tenta passar essa ideia). Está um tanto escuro e as paredes refletem a cor da cortina, um tom bege. Levanto a cabeça, olho para a porta semi-cerrada na esperança de que alguém entre para aquecer-me a alma, mas só o que adentra o quarto é uma leve e congelante brisa, vinda de uma pequena brecha na janela. No arrepio da pele, agarro-me ao cobertor, imaginando se em vez dele fosse um outro corpo, quente, de fato. Encolho-me e sinto os olhos arderem junto com algo preso na garganta. Talvez uma tentativa de choro, dor que quer sair para não se sentir tão só quanto o corpo e alma que habita sentem-se. Esforço-me para alcançar o relógio, o dia nem começou. O Sol ainda está baixo, de acordo com a hora, e os segundos insistem em querer imitar as horas, e lentos e suaves percorrem o relógio. "Ponteiros imprestáveis!", protesto. Não correm, o tempo nem anda. Tão frio, tão solitário, tão vazio. Casa vazia, não há passos, nem vozes, nem pássaros a cantar lá fora. E o que restou? Afogar-me num sono, pois só assim não verei a vagareza dos ponteiros e esquecerei-me do frio, do gosto ruim na boca, da dor presa, em nós na garganta e na ardência dos olhos.