Lost in reverie

Lost in reverie

quarta-feira, julho 20, 2011

Onde Estamos ?





O teu olhar ardendo em prosas e brasas esvoaçantes pela corrente do tempo
Onde está a minha máscara para esconder o temor e desespero de saber
Onde ficam os teus sinais, que antecedem o desconhecimento do meu ser ?
Mostre-me teu rosto, tua boca, teu olhar perdido em meio à noite fria e solitária
Este lugar, o que lhe ocorre sob essa luz ? O que nos ocorre em lembrança e vontade?
O quão distante estamos ? O quão próximos ? O quão (des) conectados ?
Será que podemos ser mais do que somos agora ? Será que você pode ? Posso ?
Talvez nós, nossos caminhos, foram entranhados no desconhecido amaro solidão
Ora, pense comigo, como antes: o que nos divide ? O que nos junta ? (Mesmo que seja em meus pensamentos)
Cansada estou de esperar pelo dia que não chega, e nem chegará
Uma questão de força maior ? Talvez ... Destino ? Não acredito nisso ... Circunstancial ? Que palavra ficaria melhor do que essa ...
Mas teus olhos não se comunicam comigo, estão apartados, destemidos e aparentemente tão fortes
Já não os posso resistir e não quero mais ver o brilho deles n’outra direção



O tempo passou e correu enquanto eu não pude lhe alcançar
Ou será que você ficou para trás nessa corrida desesperada que iniciei ?
Ah, não consigo lhe enxergar nessa temepestade
E meu refúgio está em outros cantos que não sejam os dessa casa fria 

quarta-feira, julho 06, 2011

Restos





 Gama, DF                                I de Julho de 2011


Cala-se a voz razoável e cheia de animação, pois a casa é silente e devota à escuridão. Andar por esses caminhos que a insegurança vela é uma rotina que dia a dia se concretiza. Um mantra em voz baixa, uma ordem, um vício, uma doença, uma praga incurável. Ela gostaria de se escorar pelas paredes e nos objetos, tateando-os, até achar a luz. Porém, é mais fácil ficar quieta, deitada em sua cama fria e desconfortável. A noite não passara, e foi torturante escutar o barulho do relógio martelando cada segundo que se passava. O vento que passava por entre as brechas da janela que mal se fechava. A casa velha e puída, uma madeira consumida pelo tempo.  Assim como seu coração. Lutando arduamente para que seus pensamentos a deixassem em paz para que pudesse dormir. Mas eles não se foram. Ao contrário, aumentaram a cada toque do relógio. Ela olhava a luz pálida da Lua em busca de companhia, os olhos que um dia a contemplara, o calor do abraço e do beijo que com fervor adentrava a noite sem que pudesse notar. Agora tudo se foi.
A luz da manhã lhe faz mal. Ela que achara a noite ruim, viu que o dia poderia ser ainda pior. Brilho que lhe cegava, lhe fazia querer esquecer quem era e recomeçar. Mas tudo que ela conseguia era apenas fechar os olhos, querendo escapar do oposto à escuridão e morrer, apenas. Bem, nem a morte lhe sorriu dessa vez. Restou-lhe apenas vestígios do que fora um dia, lembranças, memórias póstumas, dores e a incerteza do futuro, a pior parte em sua excelência ...

terça-feira, junho 21, 2011

A Cidade e a Lua




Essa cidade corrida
Hoje me prende em seu concreto
Os planos e a vida
Os toques e os objetos

A saudade se engrandece
Se aproveita dessa prisão
A razão fenece
Aumentando toda solidão

O prédio, a casa, a rua
Sonhando do dia à noite
O Sol, as estrelas, a Lua
É assim em qualquer dia, toda noite

Se eu pudesse escolher
Saberia que não o iria
Mas seria você
Ainda sabendo que morreria

Mas esse cinza não se interessa
Ele só me exige a rotina
Os muros e as grades são apenas promessas
Que ludibriam a retina



" Levamos muito tempo pra descobrir que não é por aí
Não é por nada não
Não, não, não pode ser
É claro que não é
Será ?! "


Muros e Grades - Engenheiros do Hawaii


"Viver assim é um absurdo, como outro qualquer. Como tentar o suicídio ou amar uma mulher"
É o amor que sinto por ti que me faz prisioneira desses muros e grades.
O único que eu ainda não pude esquecer ... 

sábado, junho 04, 2011

O que adianta ?




Gama, DF                      04 de Junho de 2011



Eu sei que nada está sobrando de mim ultimamente
Tenho andado tão distraído e tão perdido pelas ruas vazias e desérticas da minha cidade
As luzes que iluminam por entre as árvores já não me servem mais de consolo
Eu deito sozinho em meu quarto, coloco as músicas que outrora escutei contigo e choro calado
Por lembrar de tudo o que passamos, por lembrar de que somos tão parecidos, por lembrar de que jamais lhe tive em meus braços
As lágrimas que antes eu segurava, agora saem espontâneamente
E quando eu penso que sou forte o bastante e que isso não mudaria em nada minha vida, é aí que começo a cair em câmera lenta
Escuto cada acorde e penso naquela noite acidental
Escuto cada tom e lembro das palavras, do teu jeito, da tua cara de sono
Mas eu estava em silêncio
Talvez tentando pensar que rumo minha vida tomava, sabendo de tudo e nada ao mesmo tempo
Minha sorte, creio, é que àquela época eu não sabia que ainda estava guardado todos esses nós em minha garganta
Porém, só o que posso ver entre nós é a crescente distância
Os abismos vão nos separando, mas eu queria tanto que você fizesse parte do meu mundo ...




"Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
...
Eu estive aqui o tempo todo, só você não viu"




Na Sua Estante - Pitty



"Eu não ficaria bem na sua estante"

E de que adianta sermos tão parecidos ?? De eu ter os 10% teus ?! De nada me vale ...

Tempo de composição: 17h - 17h15