segunda-feira, outubro 25, 2010

Amanhecer de chuva



Noite vazia, tomada de escruciante solidão
Vaga de amor, de companhia, de beijos
Interna intensa luta contra o frio que castiga os mortais desta cidade
Amanhecida no cinza da nuvem pesada
Alvorecida por uma imensa tempestade
Tão grande esta, que assusta a mente tranquila e em sossego
Acorda do sono em que sonha a alma com esperança
Foge da realidade a mente que sonha
Brilha com intensidade o Sol acima das nuvens
Mas é da proteção delas que minha pele precisa
Um carinho feito de brisa
Um refúgio feito de moléculas de água sobre a humanidade
Uma vez ensurdecida pelo barulho da água que cai sem dó no telhado da casa fria ,
Prefiro continuar assim o resto dos dias
Para que eu possa escutar com clareza os pensamentos

sábado, outubro 23, 2010

Minhas Veias





Eu estava descendo essas ruas escuras. Notei um clarão vindo do final da rua. Corri em direção a luz. Era algo assombroso! Eu, na verdade, estava percorrendo os caminhos do meu próprio ser. Eu estava a caminhar por entre as minhas veias e corrente de emoções e pensamentos. E eu não sabia o que era luz .... Seria lembrança, seria algum sonho, desejo, querer? Eu não sei ao certo. Só havia uma forte luz e uma sombra, que se assemelhava a um perfil humano misturado com divino. Eu não tinha direção, não sabia por onde ir, se ir seria o melhor, se ficar faria diferença ... É claro que eu deveria estar ali por alguma razão, só não sabia qual. Era mente com coração. De repente eu via algumas memórias passarem em frente a mim. Eu estava ficando perturbada com aquela situação. Então, a luz me chamou. Guiou-me até sua radiante presença. E começou a explicar as coisas que estavam acontecendo no íntimo, com precisão. Porém, ele parecia falar uma outra língua, podia perceber a imagem explicando-me detalhadamente o que ocorria, o que deveria fazer, mas sem sucesso. Era algo que eu não compreendia. Foi quando num súbito escurecer do ambiente, que uma luz bem fraquinha começou a iluminar onde eu estava. Pude começar a notar os traços que eram confusos outrora. E vi, que o perfil humano misturado com o que é magistral, perfeito, formava o teu rosto, teu corpo, teus olhos. E foi aí que eu entendi o que estava acontecendo. Eu estava te gravando no coração quase que como um intocável ser ... Um ser divino, sem igual, amado inimaginavelmente, inigualávelmente.
"A tua imagem e perfeição segue comigo e me dá a direção"

sexta-feira, outubro 22, 2010

Sede






Querido, me sinto mal por dentro.
Te vejo, te sinto, te abraço, sorrio e você também
Mas há algo faltando entre nós.
Não é tempo, não é saudade, não é sorriso, não é um aperto de mãos ou troca de olhares
Talvez seja um pouco deste último ... é, talvez.
Mas sinto falta de algo maior do que todos eles.
Meu sangue está fervilhando por entre essas veias quebrantadas ,
Que mais parecem galhos retorcidos de uma árvore em pleno inverno.
Já senti tua respiração, tua pele ...
Mas algo ainda está faltando.
Meus lábios estão tremendo, assim como meu corpo por dentro quando sente os calafrios.
Estou com sede meu amor ,
Estou com sede.
Quero sentir o gosto de algo que está em você
E tu sabes tão bem o que é ...
Mas teu prazer está em me ver sofrer.
Então que seja assim!
Jogarei o teu jogo sujo e veremos quem será o vencedor no fim.
Só espero não ser tarde quando abrires teus olhos
E veres que o que querias esteve todo o tempo ao teu lado , com você ...
Mas boba , como sou, continuarei aqui , esperando por você , com todo o infinito carinho e amor
Até saciar minha sede, estarei contigo.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Futura Saudade



30/09/2010

Hoje eu não quis acordar. Acordei antes do despertador mas não quis realmente despertar. Com o dia cinza como está, meu único desejo era ficar na cama, sozinha. Mas, na obrigação de todo dia e com muito custo, levantei. E ao chegar àquele destino me dei conta. Dei-me conta, num momento de nostálgica saudade, que essas são as últimas vezes em que verei esse lugar. E por mais que eu não queira, eu amo esse lugar nesse clima. Aliás, amor todos os lugares nesse tom, lembro-me de vários assim. 
E numa dessas lembranças me dei conta de que a escola não é o único lugar que vou deixar ao término deste ano. É com grande pesar que terei que deixar a minha grande paixão, meu grande amor. Vai doer, e já dói tanto só de pensar, que as minhas segundas e quartas não terão mais aquele sabor do aprendizado que vem de um outro hemisfério, outros mundos. Foram tantos bons momentos, em ambos os lugares ...
Saudade já está batendo, mesmo sem ter acabado ainda. E já dói !

segunda-feira, outubro 11, 2010

Invasão



Eu deitei minha cabeça num travesseiro , me encolhi , senti a brisa que entrava pela janela do meu quarto , prendi a respiração para sentir melhor as batidas do coração machucado. As feridas ainda não se fecharam , ele ainda bate lento , num ritmo indubitavelmente nostálgico. Persegue as lembranças e memórias , invadindo um espaço que nem mesmo o pertence. Chora , ri , sofre e vê tudo aquilo que não pode ter de volta. Cada toque , cada olhar. Os olhos sorriem enquanto uma lágrima solitária - solitária como o coração - desce pelo rosto empalidecido pelo medo de tentar outra vez. Ouço-me e guio-me para o externo. Esqueço por um breve instante quem sou e concentro-me no ritmo que está guiando o ferido. Não me agrada o ritmo, isso é fato ... Mas sinto uma paz irremediavelmente confortante , e não gosto. Por Deus, como poderia gostar de sentir algo tão forte e belo, e mesmo sendo assim, não se corresponde e nem se dá sinal?! Agora dói menos, é verdade ... mas sempre há de bater o desespero de pensar que você pode estar me observando, nem que seja por um mísero segundo. Eu ainda penso em você, sinto teu perfume, vejo teus olhos no pôr-do-Sol, numa árvore, numa chuva que chega, no cheiro de terra molhada que a acompanha. Me lembro de como foram as primeiras vezes que no encontramos, nos vimos, nos olhamos ... Mágico! Doce afogar do coração em águas profundas ...

quarta-feira, outubro 06, 2010

Bem-vinda chuva !



Como fui me perder nessa tempestade ? Eu sabia que ela viria e mesmo assim, sendo como esta é, não pude evitar ser tragada por essa densa nuvem. Eu tinha a avistado ao longe no horizonte, mas algo fez com que eu virasse as costas e não continuei olhando. Me perdi no tempo-espaço. E agora acho-me aqui em meio à tempestade que engole-me, cega-me, inebria-me. Olho, com olhos cerrados, o longínquo horizonte mais uma vez. E tento achar o Sol que abandonou minhas terras. Não que eu ache ruim, pois deveras amo profundamente o céu trajado de cinza chumbo e o vento gelado que sopra, a noite que é tão aconchegante debaixo dos edredons, com ou sem companhia. O equilíbrio que há dentro de mim quando é chegada essa época. Mas a vida ao meu redor está morrendo, desfalecendo, entristecendo-se, deprimindo-se ... Eles necessitam desse calor, eu também, mas queria não precisar. A paz interior é vencida por essa necessidade de luz. E é por isso que aproveito o máximo possível desse tempo, nublado, chuvoso, frio. Aguardo essa paz interior tão ansiosa quando estamos na época seca. Os olhos brilham, cintilam ao ver as nuvens se aproximarem. Mas só é tão bom assim quando estamos num porto seguro, onde há segurança e proteção. Vivida assim, como estou vivendo agora, não faz bem. Adoece a alma e sentimo-nos perdidos demais para ter alguma paz.
Que todos tenhamos nossos abrigos, fortalezas e confortos em mais esse período de chuvas e frio húmido.
Amo o frio !

terça-feira, outubro 05, 2010

A velha choupana



Amanheceu. Está caoticamente frio. A estrada está coberta pela neblina ocasionada por uma chuva anterior. O vento gelado está soprando e me corta o rosto. Minha boca está trêmula. Tento me aquecer mas está difícil. As lágrimas descem queimando a pele. O frio é intensamente apaixonante. Eu o amo!
Me ergo da pedra em que estava sentada, encolhida e começo a caminhar novamente por essas estradas que estão começando a ficar brancas de neve. Preciso de abrigo. A nevasca está por vir e eu ainda não cheguei em casa. Meu abrigo está ao léu. Eu fugi e foi melhor. Escapei dos meus medos e das certezas incertas. Incoerência essa que não se explica. Mas as folhas estão a oscilar muito intensamente. Está mais próxima do que havia imaginado. Corra !
Achei a velha choupana. Nenhum habitante. Teias, insetos e uma velha mobília empoeirada. Vi um livro e me ocorreu a ideia, mas continuei explorando a choupana. Uma estante com uma vela em cima, um quarto com uma cama talhada em madeira e um criado mudo ao lado, guardaroupas grande e imponente. Abri-o. Alguns casacos, pouca roupa. Vasculhei mais ... Nenhum fundo falso, nada demais na casa inteira. A bagunça ao meu redor ... parecia que uma vida havia se encerrado ali. Decidi continuar, pois ali não era o meu lugar. Não iria desfalecer na estrada, a tempestade estava passando e não pude deixar que o medo me impedisse. Prossegui e continuarei na firmeza dos meus músculos que de aço não têm nada, mas podem aguentar coisas que o próprio aço desconhece a natureza.