segunda-feira, outubro 11, 2010

Invasão



Eu deitei minha cabeça num travesseiro , me encolhi , senti a brisa que entrava pela janela do meu quarto , prendi a respiração para sentir melhor as batidas do coração machucado. As feridas ainda não se fecharam , ele ainda bate lento , num ritmo indubitavelmente nostálgico. Persegue as lembranças e memórias , invadindo um espaço que nem mesmo o pertence. Chora , ri , sofre e vê tudo aquilo que não pode ter de volta. Cada toque , cada olhar. Os olhos sorriem enquanto uma lágrima solitária - solitária como o coração - desce pelo rosto empalidecido pelo medo de tentar outra vez. Ouço-me e guio-me para o externo. Esqueço por um breve instante quem sou e concentro-me no ritmo que está guiando o ferido. Não me agrada o ritmo, isso é fato ... Mas sinto uma paz irremediavelmente confortante , e não gosto. Por Deus, como poderia gostar de sentir algo tão forte e belo, e mesmo sendo assim, não se corresponde e nem se dá sinal?! Agora dói menos, é verdade ... mas sempre há de bater o desespero de pensar que você pode estar me observando, nem que seja por um mísero segundo. Eu ainda penso em você, sinto teu perfume, vejo teus olhos no pôr-do-Sol, numa árvore, numa chuva que chega, no cheiro de terra molhada que a acompanha. Me lembro de como foram as primeiras vezes que no encontramos, nos vimos, nos olhamos ... Mágico! Doce afogar do coração em águas profundas ...

Um comentário:

  1. nossa que triste T.T
    quase entrei em um estado melancólico profundo....
    me coração doeu....
    é difícil esconder a tristeza e uma pequena lágrima no canto do olho...

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