domingo, março 13, 2011

Desabrigo







Hoje, deitada na cama, sob um dia perfeito de chuva e céu escuro, senti algo que há muito não sabia existir. O quarto estava pálido, sóbrio. As letras do livro o qual eu tentava arduamente ler começaram a embaralhar-se, formando códigos ilegíveis, indecifráveis. 
Um turbilhão fazia com que meu corpo estremecesse e me lançava contra os meus muros de proteção. Eu tentava escapar, mas dentro de mim não há refúgio para eu mesma. Todos guardados sãos e salvos, mas eu sobrava em algum canto desprotegido e totalmente vulnerável. Eu não consigo fugir do que eu sinto. 
A convivência 24 horas comigo mesma fez-me fechar algumas portas e abrir os olhos. Sentir com intensidade o que me dá prazer descomunal, alegria intensa e trajada. Trajes galantes e sorrisos emoldurados numa face fria. O caminho por detrás perfumado pela fragrância excepcional e marcante de quem sabe o que quer e nada pode-se fazer à respeito. 
Eu desejei outrora ser como o pássaro, livre de tudo. Mas aprendi, observando cada passo e suas consequências, que não posso privar-me das obrigações e dos meus objetivos. Devo lutar por eles até o fim (seja a sua conquista ou o meu próprio fim). E não os desisto mesmo sob enfrentamento de desejos. E meu desejo agora opõe-se ao que realmente posso. Está num horizonte que, distante, mistura-se com as cores de um Sol tímido tentando penetrar as nuvens pesadas. Mas também aprendi que esse desejo não posso deter. É um amor mental. É um amor alter ego.

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