domingo, janeiro 02, 2011

Reticências




O que pensa-se, o que tenta-se escrever, o acorde que falta, a letra que escapa.
Mãos que desenham reticências por entre as folhas de um velho caderno, uma agenda qualquer.
Olhos que não sabem olhar para outro lugar além do horizonte.
Ver o Sol; a chuva que está chegando; o mundo (o seu próprio mundo) caindo, dividido, apartado.
Observar estrelas, os vários pontos de interrogação que se formam e dançam pelo ar.
Um gole de água, uma noite sem fim mesmo com os olhos desvanecendo-se.
A brisa que sopra e mexe a cortina, e que sopra num leve balançar os cabelos, fazendo com que sua visão limite-se até a hora em que você os recoloca no lugar.
Seu corpo dói, mas você não se importa em ter que suportá-la, afinal, o vazio é menos atraente sem dor. Ter que expô-lo sem sacrifício algum é estranho.
Então você se ajeita de hora em hora para poder conseguir continuar a escrever, mas ainda dói. E no fim você pode ver que a dor lhe valeu, pois lhe rendeu algum escrito que talvez só você venha a entender.
Mas que importa? Afinal, a beleza abriga-se nos olhos de quem observa o material em questão.


Uma noite em que não se pode dormir, com as lembranças de um ontem pertinentes à mente, que não sossega e não descansa. Uma mente que está fisicamente esgotada, mas que ainda assim suporta o esgotamento para que a alma possa aliviar-se ao escrever.

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