quarta-feira, novembro 24, 2010

A janela



23/11/2010

 Sentada ao lado da janela, abre uma pequena fresta na cortina e mira o mundo que se estende lá fora. Chove já há tanto tempo, tantos dias. Ela trancou-se ali mesmo, prendeu-se àquele pedacinho da casa cheia de ecos e velharias que havia adquirido ao longo de sua estrada. Ela via aquela água serena caindo desde o céu escorrendo sobre o vidro de sua janela. De lá era possível ver algumas poucas pessoas que atreviam-se a se aventurarem naquele tempo fechado e sombrio. A única alegria em meio ao céu escurecido era um pequeno jardim, bem regado, de grama verde reluzente e flores delicadas e sensíveis, que pareciam dançar ao som dos ventos. Nem parecia estar tão frio naquele lugarzinho. Era a alegria da moça da janela, que sempre preparava uma boa xícara de chá e sentava-se em um velho banquinho ao lado de sua janela. Até parecia um ritual diário. Observava por horas a fio aquela rua encharcada e aquele pedaço de jardim florido e bonito. A chuva talvez a tivesse prendido ali, mas foi ela quem continuou querendo ficar ali, ela prendeu-se à situação. E enquanto ela seguia prendendo-se, as flores se libertavam e soltavam suas divinas cores, encantando e encantando-se.

Nenhum comentário:

Postar um comentário