quinta-feira, dezembro 23, 2010

Pôr-de-Sol




Basta-me um pôr-de-Sol para que venha em minha mente tudo o que espero esquecer. E esqueço-me, por alguns instantes, que essa jornada de esquecimento certamente fracassará. Um céu bonito, um ipê amarelo, lembranças e duas vidas. Hábitos, necessidades e olhares. Passos, ora rápidos ora lentos. De quem tem algum destino, de quem anda sem ele. Chegadas, partidas, ruas, caminhos. Crianças brincam, as luzes piscam dentro das casas com enfeites de final de ano, pássaros voam de volta pra casa e o Sol continua se pôr. Uma brisa serena bate, as folhas das palmeiras mexem-se, tímidas, como que tentando não chamar a atenção, apesar de sua imponente estatura. O céu vai perdendo a cor, a claridade. As nuvens enfeitam-se com os últimos raios solares. A vida segue seu rumo, continua percorrendo o tempo. E eu continuo tentando apagar da mente o que outrora fez-me tão feliz. Saturo minha alma de dúvidas, perguntas sem resposta. Perco meu tempo nesses becos sem saída. Tempo este, que jamais irá voltar a me pertencer ...

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